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domingo, 5 de junho de 2011

Tipo letal da bactéria que infecta vegetais na Europa é identificado

Cepa 'O104' é tida por órgãos europeus como responsável pelo surto.
Número de mortos no continente sobe para 18.

Cientistas do Instituto de Genômica de Pequim, na China, (ESPA, na sigla em inglês) identificaram o tipo da bactéria Escherichia coli que está causando um surto de doença na Europa, que já deixou 18 mortos no continente. Segundo os especialistas, a versão da bactéria é nova, altamente contagiosa e letal.

A Agência de Proteção à Saúde britânica (HPA, na sigla em inglês) e o Centro de Controle e Prevenção de Doenças europeu (ECDC) afirmam que a cepa responsável por causar a síndrome hemolítico-urêmica e diarreia com sangue nas pessoas chama-se O104:H4.

Quase todos os óbitos aconteceram na Alemanha. O último deles foi confirmado nesta quinta-feira (2) após a morte de uma moradora idosa em Hamburgo, cidade portuária ao norte do território germânico e principal atingida pelo surto. Apenas uma morte aconteceu fora do país, quando uma vítima foi identificada na Suécia.

Já o número de pessoas contaminadas superou 1,5 mil em mais de 10 países da União Europeia. Somente na Alemanha, 490 casos são confirmados pelo Instituto Robert Koch.
Os especialistas europeus ainda não sabem dizer como o surto começou, mas a principal aposta está na contaminação de vegetais, especialmente pepinos. Como medida de prevenção, a Rússia já anunciou a suspensão da importação de vegetais de todos os países da Europa.

No inicio da semana, o país já tinha decidido não permitir a entrada de legumes da Alemanha e da Espanha, que havia sido apontada como a origem dos pepinos contaminados que chegaram a Hamburgo. A acusação foi posteriormente refutada pelas autoridades europeias, mas a Espanha não descarta a possibilidade de ações legais pelo alarde.

Dois casos foram identificados nos Estados Unidos, com pacientes que estiveram em Hamburgo recentemente. Segundo a agência Kyodo News, o Japão também registrou a presença da bactéria na cidade de Toyama.

Escherichia coli
O centro das atenções no caso é uma bactéria que é encontrada normalmente no intestino de humanos. Algumas versões, porém, podem causar doenças. Segundo os cientistas chineses que identificaram a cepa responsável pelo surto, este é um tipo novo do micro-organismo.

As agências sanitárias e institutos de saúde europeus recomendam o cuidado ao comer saladas e vegetais na Europa. Os alertas também são dirigidos a turistas, que sempre devem verificar se os alimentos foram bem cozidos e evitar o consumo de plantas e carne cruas.

Segundo a médica Ana Escobar, do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas e professora de medicina na USP, a bactéria não é adquirida pelo ar ou mesmo pela proximidade com pessoas contaminadas. "É diferente do contágio por vírus. O que pode acontecer é o contágio fecal-oral, que ocorre quando uma pessoa entre em contato com fezes, não lava a mão corretamente e manipula alimentos", explica a especialista. Fonte: Do G1, com informações das agências France Presse, Reuters e Associated Press e dos institutos HPA, na Inglaterra, e Robert Koch, na Alemanha.

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sexta-feira, 3 de junho de 2011

Alemanha estabelece força-tarefa para buscar fonte da bactéria 'E. coli'

Variação da bactéria já matou 18 pessoas, 17 delas no país.
Cientistas querem saber onde os vegetais são contaminados.

A Alemanha estabeleceu nesta sexta-feira uma força-tarefa nacional, na corrida para conter a disseminação de uma bactéria mortal, para encontrar a fonte de uma cepa altamente tóxica da bactéria E. coli que matou 18 pessoas -- 17 na Alemanha e uma na Suécia -- e disparou um alarme mundial.

O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, envolto numa disputa comercial com a União Europeia depois que Moscou proibiu as importação de frutas e vegetais frescos do bloco, agravou a crise dizendo que não irá "envenenar" os russos suspendendo o embargo.

Os alemães estão sendo orientados a não comer saladas cruas. As autoridades sanitárias disseram ter registrado 199 novos casos da cepa rara e altamente tóxica da infecção nos últimos dois dias. Desde o primeiro caso, detectado em 1º de maio, 1.733 pessoas já se infectaram com a bactéria.

O bacteriologista Holger Rohde, da Clínica Universitária de Eppendorf, na Alemanha, mostra o código genético da bactéria E. coli -Foto: Marcus Brandt/AFP Photo

Os cientistas lutam para localizar a contaminação, supostamente causada por má higiene em uma fazenda, no transporte, em uma loja ou distribuidor de alimentos.

Institutos de saúde por toda a Europa têm tentado tranquilizar o público sublinhando que a E. coli, causa frequente de envenenamento alimentar, geralmente pode ser evitada lavando os vegetais e as mãos antes de se comer, reduzindo os riscos de se transmitir a bactéria das fezes de uma pessoa infectada.

Mas a resistência da cepa a alguns antibióticos e a incapacidade de descobrir a fonte do surto, tornada mais difícil pela natureza das saladas que incluem uma variedade de produtos de diferentes produtores, despertou preocupações.

Tipo letal da bactéria que infecta vegetais na Europa é identificado Primeiro surto
A Alemanha está no centro do surto, mas pessoas adoeceram em outros dez países europeus e nos Estados Unidos, provavelmente pela ingestão de alfaces, tomates, pepinos e outros vegetais frescos de saladas na Alemanha. A região em torno da cidade de Hamburgo, no norte do país, é a mais atingida.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a cepa é rara e já foi vista em humanos antes, mas jamais num surto como o atual.

A bactéria E.coli em si é inofensiva, mas a cepa em questão tem a capacidade de se aderir às paredes intestinais, onde libera toxinas, às vezes causando fortes diarréias com sangue e problemas renais.Fonte: Da Reuters via G1.com

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sábado, 9 de outubro de 2010

A heroína que o Paraná não conhece

Nascida em Rio Negro, esposa do escritor Guimarães Rosa ajudou centenas de judeus a escapar da perseguição nazista

Poucos paranaenses sabem que foi em Rio Negro que nasceu uma das maiores – se não a maior – heroínas do estado. É verdade que ela sempre foi muito discreta, por isso só recentemente tem recebido cada vez mais homenagens, mesmo que a memória atualmente não lhe ajude mais. Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, 102 anos, é a única mulher reconhecida até por Israel por ter arriscado a própria vida salvando centenas de judeus. Por causa do mal de Alzheimer, ela não se lembra mais de grande parte do que aconteceu. O que ela fez, contudo, é impossível de se apagar na história. Se a vida de Aracy fosse melhor documentada, quem sabe um dia historiadores poderiam dar a ela a biografia que merece.
Aracy em frente a uma praça em homenagem ao marido escritor

Ela é de Rio Negro, Sul do Para­ná, por nascimento, mas ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. A mãe era alemã e o pai, português. Aracy se casou em 1930 com o alemão Johan von Tess, mas cinco anos depois a relação acabou em desquite. Para a época, um escândalo. Não lhe sobrou alternativas a não ser ir morar em Hamburgo, na Alemanha, com uma tia. Levou debaixo dos braços o filho de então 6 anos. “Eu era pequeno demais. Tudo o que sei é narrado por outras pessoas”, afirma o filho Eduardo Carvalho Teff.

Foi em Hamburgo que Aracy conheceu um dos maiores escritores da literatura brasileira, João Guimarães Rosa. Ele trabalhava como cônsul-adjunto do Con­sulado Brasileiro em Hamburgo, Alemanha. Para o mesmo consulado, ela foi selecionada (coincidentemente) ao cargo de secretária e responsável pelos vistos brasileiros. Foi lá que os dois começaram a namorar (ambos haviam deixado o primeiro casamento de lado). Apesar de Aracy ser conhecida por muitos como a mulher de Guimarães Rosa, ela foi muito mais do que isso.

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa em várias fases de sua vida: aos 102 anos, o Alzheimer apagou da memória grande parte de sua história

Injustiças

O III Reich de Adolf Hitler começou a perseguir duramente os judeus na Alemanha e, no Brasil, uma determinação do Itamaraty – imposta pelo então presidente Getúlio Vargas durante o Estado Novo – proibia os judeus de entrar no país a partir daquela data (1937). A ordem de Vargas era baseada nos ideais de Hitler e Mussolini. “Minha mãe era totalmente contrária ao nazismo e, vendo a situação dos judeus, começou a ajudá-los. Tentou salvar todos os que lhe procuraram, além de vizinhos e amigos. Não sabemos exatamente quantos foram, mas passam de cem”, diz Teff. Alguns ainda vivem em São Paulo e são eternamente gratos a Aracy.

Foi o cargo ocupado no consulado que ajudou esta mulher a salvar vidas. No meio de diversos outros documentos encaminhados ao cônsul para assinaturas, iam pedidos de visto dos judeus para o Brasil – seria uma das únicas maneiras de fugir das perseguições nazistas. “O cônsul assinava sem perceber do que se tratava e o documento era expedido sem o J de judeu, o que ajudou bastante”, explica Teff. Após a emissão dos documentos, Aracy ainda precisava ajudar os judeus no embarque, pois eles eram perseguidos duramente pelas ruas. Então ela usava o carro do consulado, com a placa diplomática. “Ela acolhia alguns deles na própria residência até a hora do embarque. Subia no navio e só saía quando os visitantes eram solicitados a se retirar porque o navio iria partir. Como no Brasil não havia um filtro de quem chegava, todos conseguiram passar”, afirma o historiador Anthony Leahy, do Instituo Memória.

Guimarães Rosa sabia do esquema e aceitou ficar quieto, mas disse diversas vezes à mulher que ela acabaria sendo descoberta. Algumas vezes Aracy foi presa por estar carregando alimentos dentro do carro (que seriam levados aos judeus que estavam escondidos), mas ela logo conseguia se liberar quando apresentava a carteira de funcionária consular. Ela agiu em prol dos judeus de 1938 a 1939.

Reconhecimento

Além de receber a homenagem do Museu do Holocausto em Israel, ela é considerada o Anjo de Hamburgo, prêmio da ONG B’nai B’rith (instituição judaica). “Ela me inspirou para construir a seguinte frase: para que os maus triunfem, basta que os bons não façam nada”, afirma Leahy.

Em 1941, no auge da guerra, o filho de Aracy voltou para o Brasil com a avó. Um ano depois, o Brasil rompeu relações com os países do Eixo, entre eles Ale­manha, e os diplomatas brasileiros de Hamburgo ficaram presos em um hotel chamado Banden-Baden. Passado o susto e a fome, Aracy e Guimarães Rosa decidiram voltar ao Brasil. Logo que chegaram foram ao México para se casar. “Era uma resposta à sociedade que os via ainda como desquitados”, diz Teff. O casal foi viver no Rio de Janeiro.
Viúva

Com a morte de Guimarães, Aracy teve ainda de encontrar forças para superar a perda do marido e outra ditadura, que implantou o Ato Institucional N.º 5 (AI 5) e restringiu a liberdade dos brasileiros (principalmente intelectuais) em 1968. A tia do cantor e compositor Geraldo Vandré era amiga de Aracy e pediu a ela asilo, porque ele estava sendo procurado pelos militares. “Além de Vandré, Aracy ajudou outras pessoas que estavam sendo perseguidas, desta vez no Brasil”, explica o historiador Leahy.

Somente nos últimos sete anos é que Aracy voltou a viver em São Paulo, agora na companhia do filho.

No final da década de 70 e início de 80 – não se sabe exatamente em que ano – Aracy foi convidada a visitar uma sinagoga no Rio de Janeiro e, para sua surpresa, quando entrou no local, muitos judeus se ajoelharam aos seus pés e começaram a beijá-los. Foi esta a primeira vez que ela teria se reencontrado com algumas das pessoas que ela conseguiu salvar. Fonte: Gazeta do Povo, reportagem de Pollianna Milan

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