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sábado, 9 de outubro de 2010

A heroína que o Paraná não conhece

Nascida em Rio Negro, esposa do escritor Guimarães Rosa ajudou centenas de judeus a escapar da perseguição nazista

Poucos paranaenses sabem que foi em Rio Negro que nasceu uma das maiores – se não a maior – heroínas do estado. É verdade que ela sempre foi muito discreta, por isso só recentemente tem recebido cada vez mais homenagens, mesmo que a memória atualmente não lhe ajude mais. Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa, 102 anos, é a única mulher reconhecida até por Israel por ter arriscado a própria vida salvando centenas de judeus. Por causa do mal de Alzheimer, ela não se lembra mais de grande parte do que aconteceu. O que ela fez, contudo, é impossível de se apagar na história. Se a vida de Aracy fosse melhor documentada, quem sabe um dia historiadores poderiam dar a ela a biografia que merece.
Aracy em frente a uma praça em homenagem ao marido escritor

Ela é de Rio Negro, Sul do Para­ná, por nascimento, mas ainda criança foi morar com os pais em São Paulo. A mãe era alemã e o pai, português. Aracy se casou em 1930 com o alemão Johan von Tess, mas cinco anos depois a relação acabou em desquite. Para a época, um escândalo. Não lhe sobrou alternativas a não ser ir morar em Hamburgo, na Alemanha, com uma tia. Levou debaixo dos braços o filho de então 6 anos. “Eu era pequeno demais. Tudo o que sei é narrado por outras pessoas”, afirma o filho Eduardo Carvalho Teff.

Foi em Hamburgo que Aracy conheceu um dos maiores escritores da literatura brasileira, João Guimarães Rosa. Ele trabalhava como cônsul-adjunto do Con­sulado Brasileiro em Hamburgo, Alemanha. Para o mesmo consulado, ela foi selecionada (coincidentemente) ao cargo de secretária e responsável pelos vistos brasileiros. Foi lá que os dois começaram a namorar (ambos haviam deixado o primeiro casamento de lado). Apesar de Aracy ser conhecida por muitos como a mulher de Guimarães Rosa, ela foi muito mais do que isso.

Aracy Moebius de Carvalho Guimarães Rosa em várias fases de sua vida: aos 102 anos, o Alzheimer apagou da memória grande parte de sua história

Injustiças

O III Reich de Adolf Hitler começou a perseguir duramente os judeus na Alemanha e, no Brasil, uma determinação do Itamaraty – imposta pelo então presidente Getúlio Vargas durante o Estado Novo – proibia os judeus de entrar no país a partir daquela data (1937). A ordem de Vargas era baseada nos ideais de Hitler e Mussolini. “Minha mãe era totalmente contrária ao nazismo e, vendo a situação dos judeus, começou a ajudá-los. Tentou salvar todos os que lhe procuraram, além de vizinhos e amigos. Não sabemos exatamente quantos foram, mas passam de cem”, diz Teff. Alguns ainda vivem em São Paulo e são eternamente gratos a Aracy.

Foi o cargo ocupado no consulado que ajudou esta mulher a salvar vidas. No meio de diversos outros documentos encaminhados ao cônsul para assinaturas, iam pedidos de visto dos judeus para o Brasil – seria uma das únicas maneiras de fugir das perseguições nazistas. “O cônsul assinava sem perceber do que se tratava e o documento era expedido sem o J de judeu, o que ajudou bastante”, explica Teff. Após a emissão dos documentos, Aracy ainda precisava ajudar os judeus no embarque, pois eles eram perseguidos duramente pelas ruas. Então ela usava o carro do consulado, com a placa diplomática. “Ela acolhia alguns deles na própria residência até a hora do embarque. Subia no navio e só saía quando os visitantes eram solicitados a se retirar porque o navio iria partir. Como no Brasil não havia um filtro de quem chegava, todos conseguiram passar”, afirma o historiador Anthony Leahy, do Instituo Memória.

Guimarães Rosa sabia do esquema e aceitou ficar quieto, mas disse diversas vezes à mulher que ela acabaria sendo descoberta. Algumas vezes Aracy foi presa por estar carregando alimentos dentro do carro (que seriam levados aos judeus que estavam escondidos), mas ela logo conseguia se liberar quando apresentava a carteira de funcionária consular. Ela agiu em prol dos judeus de 1938 a 1939.

Reconhecimento

Além de receber a homenagem do Museu do Holocausto em Israel, ela é considerada o Anjo de Hamburgo, prêmio da ONG B’nai B’rith (instituição judaica). “Ela me inspirou para construir a seguinte frase: para que os maus triunfem, basta que os bons não façam nada”, afirma Leahy.

Em 1941, no auge da guerra, o filho de Aracy voltou para o Brasil com a avó. Um ano depois, o Brasil rompeu relações com os países do Eixo, entre eles Ale­manha, e os diplomatas brasileiros de Hamburgo ficaram presos em um hotel chamado Banden-Baden. Passado o susto e a fome, Aracy e Guimarães Rosa decidiram voltar ao Brasil. Logo que chegaram foram ao México para se casar. “Era uma resposta à sociedade que os via ainda como desquitados”, diz Teff. O casal foi viver no Rio de Janeiro.
Viúva

Com a morte de Guimarães, Aracy teve ainda de encontrar forças para superar a perda do marido e outra ditadura, que implantou o Ato Institucional N.º 5 (AI 5) e restringiu a liberdade dos brasileiros (principalmente intelectuais) em 1968. A tia do cantor e compositor Geraldo Vandré era amiga de Aracy e pediu a ela asilo, porque ele estava sendo procurado pelos militares. “Além de Vandré, Aracy ajudou outras pessoas que estavam sendo perseguidas, desta vez no Brasil”, explica o historiador Leahy.

Somente nos últimos sete anos é que Aracy voltou a viver em São Paulo, agora na companhia do filho.

No final da década de 70 e início de 80 – não se sabe exatamente em que ano – Aracy foi convidada a visitar uma sinagoga no Rio de Janeiro e, para sua surpresa, quando entrou no local, muitos judeus se ajoelharam aos seus pés e começaram a beijá-los. Foi esta a primeira vez que ela teria se reencontrado com algumas das pessoas que ela conseguiu salvar. Fonte: Gazeta do Povo, reportagem de Pollianna Milan

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

Estudo genético confirma origem geográfica dos judeus

Um novo estudo descobriu que os judeus compartilham um vínculo genético com os drusos e os cipriotas e confirma que a diáspora judaica manteve uma forte coesão em nível do DNA apesar de seu longo afastamento do Oriente Médio, afirmaram cientistas nesta quarta-feira (9).

O trabalho, publicado na revista britânica "Nature", faz parte de uma investigação mais ampla sobre a migração humana baseada em aglomerados de diferenças microscópicas detectados no código genético.

"Descobrimos evidências de que as comunidades judaicas se originaram no Oriente Médio", explicou o cientista molecular Doron Behar, do Rambam Health Cae Campus, em Haifa, Israel, que conduziu a pesquisa reunindo especialitas de oito países.

"Nossas descobertas genéticas concordam com registros históricos", acrescentou.

O trabalho consistiu em coletar amostras de DNA de 121 pessoas residentes em 14 comunidades judaicas ao redor do mundo, de Israel ao Norte da África, da Europa à Ásia Central e à Índia.

As amostras foram, então, comparadas com as de 1.166 indivíduos de 69 populações não judaicas, inclusive o país "anfitrião" ou região onde havia uma comunidade judaica.

Introduzindo uma nova série de dados na pesquisa, os cientistas acrescentaram a análise de 16 mil amostras do cromossomo Y -encontrado apenas em indivíduos do sexo masculino- e de DNA mitocondrial, que é transmitido pela mãe.

Os cientistas procuravam marcadores de combinações denominadas polimorfismos de nucleotídeo único (SNPs, na sigla em inglês).

Os SNPs são mudanças únicas no genoma que se aglomeram em padrões distintivos entre humanos que vivem juntos em grupos durante milhares de anos. Os padrões são um indício útil de como as etnicidades se desenvolveram através do isolamento geográfico ou da concentração social.

O estudo, como esperado, confirmou o Oriente Médio ou Levantino como origem dos judeus, conforme documentado nas antigas escrituras hebraicas. Esta linhagem é claramente visível nas comunidades de hoje, tempos depois de os judeus terem sido expulsos de Israel.

No entanto, mais inesperada foi a descoberta de que padrões judaicos de SNPs eram mais próximos dos cipriotas e dos drusos do que de outras populações do Oriente Médio.

Segundo o estudo, os judeus da diáspora, fortemente ligados por tradições sociais, culturais e religiosas, mantiveram de modo geral uma forte coesão genética, embora também tenha havido uma indução de DNA em menor ou maior grau da população "anfitriã".

"As comunidades judaicas parecem ter uma coesão com o reservatório genético do Levantino, mas mesmo entre as comunidades judaicas, ainda se vê como elas se inclinam para a população 'anfitriã'", disse Behar.

Nas populações não judaicas, os aglomerados de SNP confirmaram um relacionamento próximo entre beduínos, jordanianos, palestinos e árabes sauditas. Os padrões em amostras de egípcios, marroquinos, bérberes e iemenitas, no entanto, foram mais similares a populações do sul do Saara.

Uma pesquisa prévia sobre SNP deste tipo foi revelada no chamado Projeto HapMap, que ajudou a lançar luz ao cenário migratório "Out of Africa" (Fora da África), segundo o qual todos os humanos anatomicamente modernos -Homo sapiens sapiens- descenderam de ancestrais que se aventuraram de sua África natal, cerca de 50 mil anos atrás, e colonizaram o mundo.

FALSA NOÇÃO DE RAÇA

Temendo ser arrastados para um debate sobre a falsa noção de raça, os cientistas afirmam que os aglomerados SNP não são um indício para quaisquer diferenças sobre saúde, inteligência ou habilidade humanas.

Os aglomerados de DNA não afetam os genes, partes do genoma que codificam as proteínas que fornecem a constituição física do corpo, disse Behar.

Ele acrescentou que ficaria decepcionado se sua pesquisa fosse mal utilizada para a construção de perfis genéticos, como suporte por exemplo ao debate de "quem é um judeu?", que discute quem tem o direito automático à cidadania de Israel.

"É muito importante para mim mencionar aqui que como um cientista, a genética não tem nada a ver com a definição da identidade judaica", afirmou Behar.

"O judaísmo é uma religião plural. Qualquer um no mundo pode decidir um dia que quer se converter ao judaísmo e neste caso, obviamente, a genética não interfere... A genética não conseguiria provar ou descartar a identidade judaica de um indivíduo", concluiu. Fonte: France Press via Folha

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domingo, 4 de abril de 2010

Judeus se mostram indignados com comparação do Vaticano

Igreja vem sofrendo críticas na maneira com que vem lidando com escândalo de abuso sexual

Grupos judeus do mundo todo reagiram chocados depois que o pregador pessoal do Papa Bento 16 comparou os recentes ataques à Igreja Católica e ao papa à "violência coletiva" contra os judeus. A Igreja vem sofrendo críticas na maneira com que vem lidando com escândalo de abuso sexual.

"Estou completamente chocado. Isso é uma tolice", disse Amos Luzzatto, ex-presidente da comunidade judaica italiana.

O rabino-chefe de Roma, Riccardo Di Segni, que recebeu o papa na sinagoga de Roma em janeiro, disse: "Este comentário foi de extremo mau gosto".

O pregador pessoal do papa, padre Raniero Cantalamessa, disse durante o sermão desta sexta-feira na Basílica de São Pedro que os ataques à Igreja Católica e ao papa sobre escândalos de abuso sexual podiam ser comparados à "violência coletiva" contra os judeus.

Líderes judeus do mundo todo usaram palavras como repugnante, obsceno e ofensivo, para descrever o sermão, especialmente porque, como disse o rabino Di Segni, ele foi feito no dia em que durante séculos os cristãos rezaram pela conversão dos judeus, que eram considerados culpados pela morte de Jesus.

"Como é possível comparar a culpa imposta aos judeus, e que causou a morte de milhões de pessoas inocentes, com criminosos que ofendem a sua fé e a sua profissão, ao abusar sexualmente de crianças?", perguntou o rabino Marvin Heir, do Simon Wiesenthal Center.

Cantalamessa, falando enquanto o papa estava sentado ao seu lado, disse que ao longo dos tempos os judeus têm sido vítimas de "violência coletiva" e fez comparações entre o sofrimento dos judeus e os ataques à Igreja.

"O uso de estereótipos, o desvio de responsabilidades e culpas pessoais, para uma culpa coletiva, me lembram um dos mais vergonhosos aspectos do antissemitismo", disse Cantalamessa.

Controle de danos

Um porta-voz do Vaticano disse que a comparação "foge completamente à visão do Vaticano e da Igreja Católica".

As festividades da Páscoa nessa semana foram ofuscadas por acusações de que a Igreja escondeu e negligenciou relatos de episódios de abuso sexual de padres contra crianças em diversos países.

Abalado pela crise, o Vaticano acusou a mídia de uma tentativa "desprezível" de difamar o papa. Algumas reportagens o acusaram de negligência ao lidar com casos de abuso, quando ele era cardeal no seu país de origem, a Alemanha, e em Roma.

Vítimas de abuso sexual também criticaram Cantalamessa.

"Esta tentativa ridícula de esconder os crimes da hierarquia (da Igreja) dentro do sofrimento judeu, mostra até onde o papa é capaz de chegar, para impedir que a verdade apareça", disse Peter Isely, porta-voz do Survivors Network of those Abused by Priests - SNAP (Rede de Sobreviventes de Molestados por Padres).

O Vaticano negou ter acobertado notícias de abuso sexual de 200 meninos surdos nos EUA, cometido pelo reverendo Lawrence Murphy, entre 1950 e 1974. O jornal New York Times informou que o Vaticano e o cardeal Joseph Ratzinger, hoje Papa Bento 16, foram avisados sobre Murphy, mas ele não foi removido de suas funções. Fonte: Reuters

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segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Rabinos que ainda esperam a chegada do messias instam judeus a visitarem “Monte do Templo”


Um grupo de rabinos radicais que acreditam na iminente chegada do messias exortou no domingo (25/10) a todos os judeus do mundo a visitarem o “Monte do Templo” (Esplanada das Mesquitas), apesar da tensão que isso poderia provocar com o mundo muçulmano.

“Há um fenômeno preocupante e é que cada vez que duas ou três pedras são lançadas (por árabes), os judeus são afastados do Monte do Templo. Os árabes aprenderam (a fórmula) e atuam em consequência”, disse o rabino Yehuda Glick, diretor do Instituto do Templo e organizador da conferência.

Por “Monte do Templo” os judeus entendem o lugar onde existia há dois mil anos o bíblico santuário de Jerusalém e onde há séculos está a esplanada que abriga as mesquitas de Al-Aqsa – terceiro santuário mais sagrado do islã – e de Omar.

As visitas judaicas a esse lugar desencadearam no passado sangrentas ondas de violência como a Intifada de Al-Aqsa, em 2000, e no domingo mesmo cerca de vinte pessoas ficaram feridas em enfrentamentos entre policiais israelenses e palestinos que tinham sido convocados a “defender Al-Aqsa”, em coincidência com a conferência dos rabinos.

“Quando nós tenhamos a outros cem Yehuda Glick, a outras cem pessoas disposta a entregar sua alma (como os muçulmanos), o ‘Monte do Templo’ será nosso”, declarou Yaakov Madan, um dos rabinos supostamente mais moderados do fórum e que se inclina por não fazer visitas ao recinto sagrado.

Há três décadas os judeus não costumavam subir à Esplanada das Mesquitas porque a corrente ultra-ortodoxa impunha que, ao fazê-lo, violavam a pureza do Sancta Sanctorum, ao que só tinha acesso o Sumo Sacerdote uma vez ao ano, no Dia do Perdão.

No entanto, nos últimos anos ganhou força outra corrente de rabinos que militam no movimento religioso sionista e que acham que a era mesiânica chegou.

Glick, cujo instituto começou inclusive a tecer as vestimentas dos sacerdotes, assim como as de seus seguidores, acha que é o momento de reivindicar fisicamente a jurisdição sobre o “Monte o Templo”, para que o messias possa completar sua construção de acordo às mais antigas profecias bíblicas.

Do grupo fazem parte conhecidos líderes espirituais do movimento religioso sionista, que se reuniram no fim de semana em conferência por ocasião do 843º aniversário da visita do filósofo sefardita Maimônides a esse lugar sagrado e que reivindicam que também devem ter acesso a ele.

À conferência, realizada em Jerusalém, assistiram também pelo menos cinco deputados de partidos ultranacionalistas, um dos líderes mais radicais do governante Likud, Moshé Feiglin, e o tenente prefeito de Jerusalém, David Hadari.

A conferência foi emitida ao vivo pela emissora do movimento sionista religioso Arutz Sheva.Fonte: Último Segundo

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terça-feira, 29 de setembro de 2009

Judeus usam galos e galinhas para expiar pecados às vésperas do Yom Kippur

Jerusalém, (EFE).- “Esta é minha mudança, este é meu substituto, esta é minha expiação”, murmuram os fiéis judeus enquanto dão três voltas por cima de suas cabeças com um animal que, minutos depois, é morto como forma de expiar os pecados.

No ritual das Kaparot, uma expiação simbólica dos pecados, milhares de galos e galinhas são degolados em Israel para lembrar os judeus que, a qualquer momento, Deus pode tirar a vida como forma de compensação por seus pecados.

As mulheres usam galinhas; os homens, galos; e as grávidas, um exemplar de cada um. As Kaparot são vividas nos dias anteriores ao Yom Kippur, a data mais solene do judaísmo, destinada ao arrependimento e ao pedido de perdão.

“Neste momento do ano, que é nosso Ano Novo Judaico (Rosh Hashana), uma das coisas que fazemos é começar uma vida nova e refletir sobre o que fizemos no passado”, explica à Agência Efe o judeu de origem americana Menachen Persoff antes de fazer suas Kaparot.

“Pegamos uma galinha e dizemos: ‘Em vez de que eu seja castigado e destruído neste mundo, deixe que seja esta galinha’. E então temos que pensar que, quando essa galinha morre, poderíamos ter morrido em seu lugar”, acrescenta.

Para Persoff, as Kaparot são uma oportunidade para “ser uma pessoa melhor, pensar nas coisas que fizemos de errado e fazer as coisas de um jeito melhor no futuro”.

Depois que a ave escolhida – que deve ser branca, para simbolizar a purificação do pecado – é girada sobre a cabeça, o animal é degolado com um rápido e certeiro movimento com uma faca afiada cuja lâmina não pode ter a menor fenda, seguindo os preceitos judeus do “kashrut”.

Os penitentes costumam doar as aves mortas para a caridade se têm uma boa situação econômica. Caso contrário, as levam para comer em casa.

Alguns criticam os que comem ou doam as aves aos pobres ao entender que os pecados de quem toma parte no ritual foram transferidos ao animal e, portanto, este não deve ser comido.

Após o ritual, as vísceras das aves devem ser colocadas em algum lugar onde possam servir de alimento a outros pássaros, a fim de demonstrar piedade em relação a todas as coisas vivas.

“Nas Kaparot, rezamos para ser perdoados. Nos mostramos envergonhados diante de Deus e lembramos que ele pode nos tirar a vida, mas nos dá a oportunidade de pedir perdão”, aponta a judia ultraortodoxa Devorah Leah.

Para ela, esta tradição ajuda a “pensar com mais profundidade” sobre si mesmo e seus atos.

Na antiguidade, as Kaparot eram feitas com cabras, o que deu origem à expressão “bode expiatório”.

Hoje em dia, mamíferos não são usados, mas se não é possível ou não se quer usar galinhas ou galos, estes podem ser substituídos por qualquer outra ave, exceto pombos – para não lembrar os ritos de sacrifício no templo -, ou mesmo por um peixe.

Também são muitas as famílias que fazem as Kaparot com dinheiro que depois é doado aos pobres.

O fato de os rabinos permitirem que o rito seja celebrado sem necessidade de matar animais é o principal argumento das organizações defensoras dos animais contra esta prática, que consideram como cruel e abusiva.

“Muitos religiosos argumentam que não há motivo para fazê-lo com dinheiro quando se pode matar uma galinha, porque estas não sofrem. Mas isso não está certo. Todo mundo sabe que os animais têm sentimentos e querem viver, igual a nós”, diz Gene Peretz, uma jovem estudante vegetariana que se manifesta em Jerusalém contra o uso de animais vivos nas Kaparot.

Frente a esta postura, os seguidores da tradição, como Leah, argumentam que “os animais estão na terra para ser utilizados pelos seres humanos, sempre que seja de modo correto”, e que comer “os animais que Deus nos deu é uma forma de fazer com que o mundo seja mais espiritual”. Fonte: EFE

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sexta-feira, 5 de junho de 2009

Judeus e muçulmanos dos EUA têm reações diferentes a discurso de Obama

Organizações muçulmanas e judaicas dos Estados Unidos reagiram de forma diferente ao discurso que o presidente Barack Obama fez ontem no Cairo, no qual buscou uma aproximação com o mundo islâmico e reconheceu o sofrimento do povo palestino.

"O presidente estabeleceu um novo marco nas relações entre os Estados Unidos e a comunidade muçulmana", disse à Agência Efe Salam al-Marayati, diretor-executivo do Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos (MPAC, na sigla em inglês).

Na opinião de Marayati, o discurso foi "equilibrado" porque anunciou uma mudança na política americana e, ao mesmo tempo, pediu a reforma no mundo muçulmano, ao apelar para que os Governos islâmicos reconheçam direitos básicos de seus cidadãos, inclusive os da mulher.


Por sua vez, o Comitê Antidiscriminação Árabe-Americano (ADC, em inglês) disse que, em seu discurso, Obama reconheceu o valor da civilização islâmica, o que ajuda a eliminar estereótipos equivocados sobre os árabes e os muçulmanos.

Já o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC, em inglês) evitou fazer críticas. A entidade apenas destacou que o presidente reiterou o vínculo entre os dois países e pressionou o Hamas a abandonar a violência.

No entanto, a Liga Antidifamação se disse "desanimada", porque o presidente "sentiu a necessidade de equilibrar o sofrimento dos judeus no genocídio com o dos palestinos em consequência das guerras árabes".

Por sua vez, Jennifer Laszlo Mizrahi, presidente do Projeto Israel, afirmou que Obama deveria ter esclarecido que os judeus deveriam voltar a Israel e que os refugiados palestinos têm de retornar a "uma pátria palestina", e não a suas antigas casas, localizadas onde hoje fica o Estado israelense.

Mizrahi também se disse "muito preocupada", porque Obama disse que o Irã tem a direito ter acesso a material nuclear com fins energéticos, embora haja o risco de estes caírem em mãos terroristas.
Fonte: EFE

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Presidente do Irã: Ahmadinejad no Brasil

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A visita do presidente iraniano ao Brasil, prevista para o dia 6 de maio, foi adiada (veja informações). Ele é um dos principais negadores do Holocausto na atualidade. Ahmadinejad também não perde uma oportunidade para manifestar seu ódio a Israel e seu desejo de destruir o Estado judeu[1]. Sendo assim, a simpatia do governo brasileiro por ele faz-nos lembrar do ditado: "Dize-me com quem andas e te direi quem és''.

Algumas informações sobre o Irã[2]: desde a posse de Ahmadinejad em 2005, a situação dos direitos humanos no país piorou dramaticamente (com elevado número de execuções, muitas delas por apedrejamento ou enforcamento públicos). Um esboço de código penal estipula a pena de morte por apostasia (isto é, para quem deixar o islã). Os cristãos[3] e outras minorias religiosas têm sofrido severas restrições e perseguições. As autoridades iranianas também suprimem a liberdade de expressão e opinião, prendendo jornalistas, controlando publicações e a internet, além das atividades acadêmicas.

O Irã é promotor do terrorismo mundial e financiador do Hezb'Allah (o Partido de Alá, no Líbano) e do Hamas (na Faixa de Gaza). Essas duas milícias islâmicas radicais têm atacado Israel a mando do Irã e cometido inúmeras matanças de civis. Sua ação, porém, não se limita ao Oriente Médio: a Argentina acusou formalmente o Irã pelos violentos atentados contra instituições judaicas em Buenos Aires (em 1992 e 1994). Na América do Sul, a atuação iraniana é crescente, principalmente através da aliança com Hugo Chávez e Evo Morales.

O Irã também está em fase adiantada de desenvolvimento de tecnologia nuclear e de mísseis balísticos, representando uma séria ameaça para todo o Oriente Médio e o mundo. Dessa forma, o crescente armamento e a influência iraniana despertam fortes temores entre as próprias nações muçulmanas (principalmente na Arábia Saudita, no Egito e em alguns países do Golfo). Apesar da aparente unidade islâmica, há profundas desconfianças e conflitos entre muitos países árabes (dos quais, a maioria é sunita) e os iranianos xiitas (que são persas, e não árabes).

Quanto a Israel, as afirmações e provocações do presidente e de outros líderes iranianos são bem conhecidas: "Israel deve ser riscado do mapa...'', "Israel está destinado à destruição...'', "Israel é um tumor canceroso...''[1]. Sua última investida ocorreu na abertura da vergonhosa conferência da ONU (em Genebra) que, supostamente, deveria ser anti-racista. Como foi manipulada para atacar Israel, vários países[4] negaram-se a participar dela desde o princípio. Ironicamente, apesar do seu histórico, o presidente iraniano foi um dos principais oradores. Quando começou sua diatribe contra Israel e negando o Holocausto – justamente na véspera do Yom HaShoah, o dia em que se lembra o assassinato de 6 milhões de judeus no tempo do nazismo! – os delegados da União Européia se retiraram em protesto. Ficaram os representantes dos países que parecem concordar com Ahmadinejad, entre eles os brasileiros, ouvindo até o final o discurso de ódio aos judeus[5]. Assim, mais uma vez, o Brasil escolheu as más companhias.

É importante lembrar que o Irã (a Pérsia) tem grande destaque na Bíblia (veja os livros dos profetas Daniel, Ageu, Esdras, Neemias e de Ester). A Pérsia foi um dos impérios da visão da grande estátua do rei Nabucodonosor – interpretada pelo profeta Daniel, essa imagem representa todo o desenrolar da história das nações, até o estabelecimento do reino de Deus (Daniel 2, veja o Apocalipse). Os persas também são citados como aliados de Gogue na invasão de Israel "nos últimos dias'' (Ezequiel 38.5). Portanto, as profecias bíblicas revelam o papel do Irã no cenário mundial e nos permitem entender o que realmente há por trás do comportamento atual desse país. Ao estreitar seus laços com ele – enquanto se distancia de Israel – o governo brasileiro se expõe ao juízo anunciado em Gênesis 12.3: "...amaldiçoarei os que te amaldiçoarem'' .

A estátua do sonho de Nabucodonosor - veja Daniel 2.


As pessoas e os países podem escolher com quem se relacionar e andar – mas as más companhias revelam a inclinação de quem as procura e, quando não há afastamento delas, o final sempre é trágico. Você gostaria que seus filhos andassem com quem tem um “currículo” semelhante ao do presidente iraniano? Sem dúvida, a má escolha dessa amizade é extremamente preocupante. (Ingo Haake – http://www.Beth-Shalom.com.br)

Notas:

1. O Irã promoveu as conferências “Um Mundo sem Sionismo” (em outubro de 2005) e de questionamento do Holocausto (em dezembro de 2006, com a presença de destacados revisionistas e anti-semitas de todo o mundo). Há uma longa lista de declarações anti-israelenses dos líderes iranianos e, especialmente, de Ahmadinejad, em encontros e eventos: http://en.wikipedia.org/wiki/Mahmoud_Ahmadinejad_and_Israel

2. Antes que alguém se ofenda, achando que se trata de “acusações” contra o “povo iraniano”: nenhuma delas se refere aos iranianos como pessoas, mas ao regime que os governa, do qual eles são as primeiras vítimas. Além disso, trata-se de fatos amplamente noticiados e conhecidos.

3. A Open Doors USA (Portas Abertas) relata: "A partir de 2008 houve forte endurecimento com as igrejas que se reúnem nos lares. Mais de 50 cristãos foram presos por sua fé numa das sociedades mais repressivas do mundo. Um casal cristão morreu após ser interrogado por funcionários governamentais... Apenas as igrejas armênias e assírias podem instruir seus conterrâneos em sua própria língua, mas é proibido ensinar pessoas de origem islâmica (que falam farsi). Muitos cultos são monitorados pela polícia secreta... Por pressão das autoridades, os cristãos são oprimidos e têm dificuldades em achar empregos e mantê-los logo que se descobre sua religião". (extraído de http://www.opendoorsusa.org/UserFiles/File/Open%20Doors%20World%20Watch%20List%202009.pdf)

4. Israel, EUA, Austrália, Alemanha, Canadá, Itália, Suécia, Nova Zelândia e Polônia.

5. As notas posteriores de crítica do discurso de Ahmadinejad não parecem muito convincentes, pois não era difícil prever que na conferência, manipulada para servir de plataforma de condenação de Israel, só poderia haver esse tipo de manifestação.

Vídeo: Europeus saíram quando Presidente do Irão apelidou Israel de governo racista


Fonte: Chamada da Meia Noite

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