O presidente americano, Barack Obama, afirmou neste domingo em discurso no Theatro Municipal, no Rio, que a transição feita pelo Brasil da ditadura para a democracia é um modelo para o mundo árabe, governado há décadas por líderes fortes mas que passa por um momento em que o povo exige mais liberdades. O líder americano disse ainda que deseja "fortalecer a amizade" dos EUA com o país.
Falando a uma plateia de mais de 2.000 pessoas, Obama disse que "a transição para a democracia no Brasil nos anos 1980 pode servir de exemplo às nações do Oriente Médio".
"Esse é o exemplo do Brasil, um país que mostra que a ditadura pode se transformar em uma vibrante democracia, um país que mostra que a democracia leva liberdade e oportunidades ao povo".
Segundo Obama, nos últimos meses, o mundo árabe tem sido palco de manifestações populares que pedem mais liberdade e democracia. "Em toda a região, nós vimos jovens se levantando. Uma nova geração exigindo o direito de decidir seu próprio futuro", disse.
O presidente americano citou a Líbia: "Temos visto o povo da Líbia assumir uma corajosa posição contra um regime determinado a brutalizar seus próprios cidadãos".
"Desde o começo, deixamos claro que a mudança que eles procuram deve ser feita por seu próprio povo. Mas como duas nações que tem lutado por muitas gerações para aperfeiçoar suas próprias democracias, os EUA e o Brasil sabem que o futuro do mundo árabe será determinado pelo seu povo."
"Ninguém sabe dizer ao certo como essa mudança irá acabar, mas eu sei que mudanças não são algo que deveríamos temer."
"Esse é o exemplo do Brasil. O Brasil, um país que mostra que uma ditadura pode se converter em uma vibrante democracia. O Brasil, um país que mostra que a democracia oferece liberdade e oportunidade às pessoas", afirmou.
Segundo Obama, o Brasil é "um país que mostra como o chamado a mudança que começa nas ruas pode transformar uma cidade, um país e o mundo".
FUTEBOL E JORGE BEN
O presidente americano iniciou sua fala falando em português: "Alô", "Cidade Maravilhosa" e "todo povo brasileiro" para conquistar a plateia.
Depois citou o clássico do Campeonato carioca Vasco e Botafogo deste domingo. Seus anfitriões no Rio --o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes-- são vascaínos. No entanto, Obama foi vaiado por parte da plateia e reconheceu que o assunto é muito sério no Brasil.
Depois, em meio a elogios ao Brasil, afirmou: "Como disse o cantor, o Brasil é um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza", em referência a Jorge Ben Jor.
Durante seu discurso, o presidente americano ainda afirmou que o Brasil emergiu de décadas de mau desempenho para se tornar uma economia poderosa que tem muitos valores em comum com os EUA.
De acordo com ele, uma antiga piada de que o Brasil seria sempre um "país do futuro" não é mais verdadeira.
"Para o povo do Brasil, o futuro chegou", afirmou, sendo seguido de calorosos aplausos da plateia.
Obama disse que Brasil e EUA tem uma cultura e uma história parecidas, incluindo suas lutas contra poderes coloniais e seus povos multiculturais.
"Nos tornamos colônias reclamadas por reinos distantes, mas rapidamente declaramos nossa independência. Acolhemos ondas de imigrantes em nossas costas, e eventualmente limpamos a mancha da escravidão de nossa terra."
PARCERIAS E JAPÃO
Como no dia anterior, Obama citou as diversas áreas em que Brasil e EUA são parceiros e que podem ser reforçadas. Isso inclui os setores de energia limpa, cooperação científica, tecnologia e falou em derrubar os obstáculos que estão impedindo o crescimento das relações comerciais bilaterais.
"Da África ao Haiti, estamos trabalhando lado a lado para combater a fome, a doença e a corrupção que podem apodrecer uma sociedade."
O presidente americano também comentou sobre a maior comunidade japonesa fora do Japão que vive em São Paulo para pregar ajuda do Brasil aos japoneses na sua hora de maior necessidade, uma referência ao terremoto seguido de tsunami registrado no último dia 11 que já deixou mais de 7.000 mortos no país asiático.
"Nos EUA, nós criamos um laço de mais de 60 anos com o Japão", disse. "O povo japonês é um dos nossos amigos mais próximos e estaremos lado a lado com o povo japonês para superar esse momento."
O discurso de Obama no Theatro Municipal estava previsto inicialmente para ser realizado na Cinelândia, que encerraria a agenda do mandatário na cidade. O local havia sido escolhido em detrimento de outras opções, como a praia de Copacabana, por questões de segurança. No entanto, o evento foi transferido na sexta-feira (18) para o interior do teatro.
Entre os mais de 2.000 convidados estavam grupos de mulheres e idosos de Santa Cruz e Bangu (bairros de classe média baixa da zona Oeste do Rio), que conduzem projetos sociais com apoio da Prefeitura e do governo do Estado.
Também integrava a plateia uma representação do Instituto Empreender, cujo objetivo é promover programas nas áreas de empreendedorismo, com acesso ao crédito e desenvolvimento de microempresas. O projeto é apoiado pela Usaid, agência norte-americana de assistência econômica e humanitária.
Na plateia, há ainda representantes do movimento negro e expoentes da cultura afro-brasileira, como os atores Lázaro Ramos, Taís Araújo, a ministra Luiza Bairros (Igualdade Racial) e o ativista, ex-político e intelectual Abdias do Nascimento, 97.
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domingo, 20 de março de 2011
No Rio, Obama diz que Brasil é exemplo de democracia para mundo árabe
domingo, 21 de março de 2010
Obama garante que reforma da saúde não dará recursos para aborto
O diretor de comunicações da Casa Branca, Dan Pfeiffer, disse que esta ordem prevê salvaguardas para garantir a atual situação das verbas federais para aborto. A atual política federal de longo prazo sobre o aborto impede que verbas da Casa Branca sejam usadas para a realização de abortos, exceto em casos de estupro, incesto e quando a vida da mãe está em perigo.
Com isso, estaria garantido que as beneficiárias da reforma do sistema de saúde não utilizariam os planos de saúde para procedimentos médicos abortivos.
A decisão de Obama tem como objetivo convencer deputados democratas a votar a favor da reforma da saúde, que está em processo de votação no Capitólio. Muitos deles são antiaborto, e temiam que a nova lei abrisse uma brecha para a realização dos abortos com recursos federais.
O anúncio teve resultado imediato: o congressista Bart Stupak, líder de um grupo de congressistas democratas católicos, anunciou que apoiará a medida. O grupo que ele comanda estava reticente em apoiar a reforma. Sem o voto desse grupo, seria difícil que os democratas obtivessem os 216 votos que precisariam para aprovar a reforma.
Votação
Após uma série de debates, os deputados americanos estão votando no texto-base da reforma da saúde. Caso seja aprovada, a reforma considerada prioritária pelo governo de Barack Obama, seguirá direto para sanção presidencial.
Os democratas precisam de 216 dos 431 votos da Câmara para garantir a aprovação da reforma.
Os republicanos, 178 no total, dizem que não vão apoiar o projeto de lei. Os líderes democratas trabalham há semanas com seus correligionários mais conservadores, inclusive cerca de dez antiaborto. Segundo estimativa do jornal "Washington Post", os democratas estão divididos entre 198 "sim", 31 "não" e 24 indecisos.
Vários democratas do alto escalão foram à imprensa americana neste domingo para garantir que terão votos suficientes para a aprovação da reforma no sistema de saúde.
A batalha política sobre a reforma da Saúde tem consumido o Congresso há mais de nove meses, reduzindo a aprovação de Obama e deixando preocupados os deputados democratas que enfrentam reeleição em novembro.
Neste domingo, os congressistas votarão dois projetos de lei diferentes após duas horas de debate. Um é o que foi aprovado pelo Senado em dezembro, e que, se receber o sinal verde da câmara, vai levado para que Obama o sancione. O segundo introduz uma série de emendas no primeiro. Se este for aprovado, passará para o Senado, que, segundo o acordo fechado pelos democratas, o aprovará sem mudanças e ainda ao longo desta semana.
A reforma, na qual Obama apostou grande capital político, pretende ampliar a cobertura dos serviços de Saúde para 32 milhões de norte-americanos sem convênio médico e coibir práticas como a recusa de cobertura para as pessoas com condições médicas preexistentes.
O programa ainda prevê que todos os norte-americanos tenham acesso a convênios médicos, mas vai oferecer subsídios para ajudar trabalhadores de baixa renda a pagarem por eles. Também vai estabelecer regras que possibilitem indivíduos e grupos trocarem e compararem planos de saúde. Fonte: Folha Online com agências internacionais.
sábado, 10 de outubro de 2009
Nobel pode tirar foco de Obama da política interna, diz sociólogo americano
Ronald Krebs é autor de pesquisa sobre história do Nobel da Paz.
Obama vai ter que escolher entre interesses dos EUA e do mundo, diz.
Foto: AP O ganhador do Prêmio nobel da Paz 2009, Barack Obama (Foto: AP)
Apontado como uma grande vitória internacional do presidente dos Estados Unidos, o Prêmio Nobel da Paz conquistado por Barack Obama na sexta-feira (9) pode gerar um problema de política interna para ele nos próximos meses. Segundo a avaliação do sociólogo Ronald Krebs, autor de uma pesquisa sobre a história do Nobel da Paz a ser publicada no fim deste ano, Obama vai ser pressionado a deixar claro que interesses são mais importantes para seu governo, se os dos EUA ou os da comunidade internacional
“O prêmio vai comunicar aos americanos que talvez Obama queira defender mais os interesses da comunidade internacional de que os interesses dos Estados Unidos. Vai se abrir uma linha de ataque sobre esta questão, criando muita pressão sobre seu governo. Ele já mostrou que está preocupado com isso e tem defendido algumas ações militares para mostrar que os EUA vêm em primeiro lugar”, disse Krebs, em entrevista ao G1.
Segundo Krebs, é natural esperar que Obama prove que, para ele, os interesses norte-americanos estão acima dos internacionais, e não deve demorar para ele encontrar uma situação em que possa demonstrar isso de forma clara, por mais que possa surpreender a comunidade internacional. “Ele vai deixar o mundo desapontado, mas é uma situação que foi criada pelo comitê do prêmio Nobel.”
O anti-Bush
Professor na Universidade de Minnesota, Krebs é autor do livro “Fighting for rights: military service and the politics of citizenship” (Lutando por direitos: serviço militar e a política de cidadania) e deve publicar até o fim do ano “A Perilous Prize? The False Promise of the Nobel Peace Prize" (Um prêmio perigoso? A promessa falsa de um Prêmio Nobel da Paz), em que analisa o histórico da premiação e dos escolhidos pelo comitê. Segundo ele, a decisão de apontar Obama como o Nobel da Paz deste ano foi tomada por questões políticas, representando uma ruptura com a Era Bush nas relações entre os Estados Unidos e o resto do mundo.
“A vitória de Obama repete prêmios anteriores do Nobel da Paz, seguindo critérios políticos. É um prêmio que busca mandar uma mensagem clara em defesa de uma causa particular da paz. Ele marca uma linha que rebate as decisões do governo [George W.] Bush. A política externa do segundo mandato do governo Bush criou uma divisão entre os Estados Unidos e o resto do mundo. O Prêmio Nobel visa deixar de lado esta ruptura e mostrar que os dois podem estar juntos novamente.”
Para ele, Obama não teria ganhado nada se tivesse rejeitado o prêmio, como alguns analistas defenderam na mídia dos Estados Unidos. “O discurso de Obama após a premiação teve o tom perfeito. Ele foi modesto e reforçou a idéia de que o Nobel premia uma visão de uma comunidade internacional pacífica. Ele acertou ao defender que o trabalho para que isso seja alcançado seja conjunto.”
Aspiração e conquistas
O próprio laureado pelo Nobel da paz deste ano se disse surpreso, em sua primeira declaração após ter sido escolhido. Obama admitiu não ter um histórico que prove sua luta pela paz, mas disse saber que a premiação tinha ocorrido com expectativas no futuro.
Segundo Krebs, esta é exatamente a mentalidade do comitê do Nobel da Paz. “Nos últimos 30 anos, o comitê usa o prêmio para premiar aspiração, levando adiante um objetivo político específico voltado à paz. Dizer que o comitê vai perder credibilidade é ir contra a história do prêmio. O Prêmio Nobel da Paz há muito tempo prioriza aspiração a conquistas”, disse.
O prêmio Nobel da Paz, explicou, é o único dos prêmios do comitê que defende acima de tudo intenção. “Sempre que se fala nos outros prêmios, como física, medicina, todos os outros, defende-se conquistas e descobertas, o que cria uma expectativa de que o da paz também seja alguém que fez algo de relevante. Mas não o da Paz, que premia a aspiração acima de tudo”, disse, defendendo a escolha de Obama como correta pelos parâmetros do comitê. Fonte: G1, reportagem Daniel Buarque
domingo, 4 de outubro de 2009
Escritor Gore Vidal diz que EUA terão ditadura ‘em breve’
O governo de Obama está “terrível. Eu estava esperançoso. Ele era a pessoa mais inteligente que tivemos na presidência em muito tempo. Mas ele não tem experiência. Ele tem uma falta de habilidade generalizada para entender assunto militares. Está atuando como se o Afeganistão fosse um talismã mágico, como se o problema fosse resolvido lá, resolveria o terrorismo”, disse.
Para Vidal, as tropas norte-americanas deveriam sair do Afeganistão. “Já fracassamos em todos os outros aspectos da tentativa de conquista do Oriente Médio, ou como quer que você queira chamar isto”, afirma.
No entanto, Vidal assegura que, apesar de os EUA serem um país de mentirosos, coisa que o escritor odeia, “Obama não mente”, segundo ele, o que o mantém ainda um pouco otimista. “O problema é que ele acredita nos generais.”
Segundo o escritor, “Obama acredita que o Partido Republicano é apenas um partido e não uma mentalidade, como a juventude hitlerista. Eles são fascistas”. Vidal também afirmou que não descarta a possibilidade de o presidente ainda ser assassinado.
Para Vidal, os EUA terão uma “ditadura militar em breve, devido ao fato de que ninguém consegue manter as coisas em ordem”.Fonte: Opinião e Notícia
sábado, 26 de setembro de 2009
Lula fala com Obama sobre risco iraniano; líderes não querem isolar o país
Foto:Charles Dharapak/APO presidente Lula cumprimenta o colega Barack Obama no G20; americano disse que contato entre Brasil e Irã "parece bom"
Segundo o embaixador brasileiro, no encontro com Lula, Obama disse que "parece bom que o Brasil dialogue com o Irã", em referência à visita que o presidente Mahmoud Ahmadinejad deverá fazer ao país, em novembro que vem.
Nesta quarta-feira (23), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York, Lula e Ahmadinejad tiveram um encontro no qual Lula defendeu o direito do Irã desenvolver energia nuclear para fins civis, desde que o país, assim como faz o Brasil, coopere com as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
No entanto, na manhã desta sexta-feira, Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, Gordon Brown, fizeram um comunicado de repúdio à admissão, por parte do Irã, de que o país possui uma planta de enriquecimento de urânio que, para as potências ocidentais, era secreta.
Com a revelação da nova planta iraniana, assessor diplomático do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, ressaltou que, se as denúncias estiverem certas, o Brasil condenará o Irã, mas sem "se unir àqueles que querem encurralar o Irã". "Nós já sabemos o que resulta da política de encurralamento: resulta o Paquistão ou a Coreia do Norte", dois países que têm armas nucleares.
No pronunciamento, Obama disse que "não é a primeira vez que o Irã esconde informações" sobre o seu programa nuclear, mas fez questão de ponderar que o país tem direito à energia nuclear, exceto que o tamanho e configuração da nova planta seriam "inconsistentes com um programa nuclear pacífico".
Sem deixar de, como diz, "estender a mão", Obama voltou a pedir que o Irã se engaje nos diálogos pela desnuclearização conduzidos pelo Grupo dos Seis (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) e que mostre "ações" na reunião marcada para o próximo dia 1º de outubro, na Alemanha.
Entre Obama e Brown, o presidente francês foi o que adotou o tom mais rigoroso em relação ao Irã. Sarkozy disse que o Irã "levou a comunidade internacional por um caminho perigoso" e que "tudo precisa ser colocado na mesa agora". "Não podemos deixar os líderes iranianos ganharem tempo enquanto os motores estão em ação."
Carta
Na carta dirigida ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o governo iraniano confirma a existência da planta denunciara pelas potências ocidentais, mas afirma que só dará "outras informações complementares no devido tempo e de forma apropriada", segundo os detalhes divulgados pelo porta-voz Marc Vidricaire, em comunicado.
O único dado técnico que Vidricaire adiantou é que o nível de enriquecimento de urânio seria de até 5%, condição que daria origem a um combustível pouco purificado, suficiente apenas para alimentar reatores nucleares de geração de eletricidade. O comunicado não dá detalhes sobre o conteúdo da carta, mas diz que "o organismo acredita ainda nenhum material nuclear tenha sido introduzido na instalação do Irã".
O Irã já possui uma grande usina de enriquecimento de urânio conhecida, em Natanz, a 250 km de Teerã, na região central do país, cuja existência foi revelada em 2002.
O complexo já conhecido, que tem uma parte subterrânea, é monitorado atualmente pelos inspetores da AIEA. A agência divulgou um relatório recentemente no qual dizia que o regime iraniano reduziu a quantidade de enriquecimento de urânio pela primeira vez em alguns anos, mas advertiu que ainda não foram esclarecidas as metas nucleares. Fonte: Folha Online da France Presse, em Pittsburgh
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Líder de grupo muçulmano ligado ao Hamas fará oração oficial por Obama
Pela segunda vez desde o verão passado, a equipe do presidente eleito Barack Obama está defendendo a escolha da líder de um grupo muçulmano para desempenhar um papel importante no culto ecumênico de oração por Obama. De acordo com autoridades americanas, esse grupo tem ligação com terroristas.Ingrid Mattson, presidente da Sociedade Islâmica da América do Norte (SIAN), é uma dos vários líderes religiosos programados para falar no culto de oração de posse quarta-feira na Catedral Nacional em Washington.
Conforme WND noticiou em agosto, Mattson fez discurso no “encontro ecumênico” da Convenção Nacional Democrática em Denver.
Na época, o noticiário Fox News informou que havia a suspeita de que a SIAN tinha ligações com o terrorismo radical no mundo inteiro e durante o julgamento da Fundação Terra Santa por causa de terrorismo no ano passado o governo dos EUA a classificou como “co-conspiradora não acusada”.
O governo alegou que documentos mostram que a SIAN recebe apoio da Irmandade Muçulmana, que vem convocando os muçulmanos do mundo inteiro para uma guerra santa contra o Ocidente.
Frank Gaffney, do Centro de Políticas de Segurança, declarou para a Fox que a Irmandade Muçulmana busca “nossa destruição”.
Em julho passado, promotores federais em Dallas entregaram documentos de tribunal dizendo que tinham “muitos testemunhos e provas documentárias expressamente ligando” a SIAN ao Hama, que os EUA classificam como organização terrorista, bem como outros grupos radicais.
Os organizadores da Convenção Nacional Democrática defenderam Mattson na época como “embaixadora do islamismo que prega tolerância”.
Ontem, Linda Douglass, porta-voz do comitê de posse de Obama, de novo defendeu Mattson, dizendo: “Ela tem uma reputação surpreendente no movimento ecumênico”. Douglass não quis discutir o caso de Dallas ou dizer se o comitê estava ciente dele, noticiou a Associated Press.
A SIAN, que se descreve como “a principal organização muçulmana de porte dos EUA”, diz que não desculpa o terrorismo e contesta sua inclusão no caso da Fundação Terra Santa. Traduzido e adaptado por Julio Severo: www.juliosevero.com. Fonte: WND
domingo, 7 de junho de 2009
Conservadores dos EUA criticam Obama por "desculpas" a islã
Recebido positivamente por boa parte da imprensa dos EUA, o discurso de anteontem do presidente Barack Obama ao mundo muçulmano rendeu também fortes críticas da ala conservadora americana. O setor vociferou que a fala enfraqueceu o país, é perigosa e excessivamente humilde.
A direita argumenta que Obama passa tempo demais se desculpando. Um dos trechos mais comentados em TVs, rádios e blogs conservadores foi o momento em que ele afirmou que, após o 11 de Setembro, a raiva "levou os EUA a agir às vezes contrariamente a suas tradições e ideais".
"É algo muito sério quando um presidente americano diz que os EUA abandonaram seus ideais. E fazer isso em solo estrangeiro para mim é um desserviço", afirmou Liz Cheney, filha do ex-vice-presidente Dick Cheney.
Em périplo por canais de TV, ela criticou severamente o que chamou de "relativismo moral" de Obama e sua condenação do Holocausto mas também do sofrimento dos palestinos. "A vida dos palestinos sob a ocupação é difícil, mas não tem absolutamente nenhuma semelhança com os horrores do Holocausto."
O ponto reverberou mal também entre americanos pró-Israel, insatisfeitos ainda com as posições sobre o Irã -de admitir que o país tem direito de manter um programa nuclear civil- e sobre os assentamentos judaicos na Cisjordânia -exigindo seu congelamento.
"O discurso foi horrível", afirmou o radialista conservador Mark Levin. "Por que Obama quis atacar seu próprio país, desconsiderar Israel -nosso único aliado real na região- e destruir os militares que estão lutando por nossa liberdade e esperança no Oriente Médio?"
Marc Thiessen, autor de discursos para o ex-presidente George W. Bush, concordou e disse ao canal Fox que Obama não deveria nunca criticar as Forças Armadas e a CIA em solo estrangeiro. "Ao dizer que comprometemos nossos princípios, ele jogou o Exército e a inteligência na frente de um ônibus no meio de uma plateia de muçulmanos."
Apesar da grita, a reação ao discurso respeitou divisões partidárias e ideológicas nos EUA, o que minimiza o impacto dos ataques a Obama.
"As vozes à direita que criticaram o discurso estão muito limitadas hoje, com poucos seguidores", afirmou à Folha Robert Erikson, analista de política americana e opinião pública da Universidade Columbia. "Obama vai se beneficiar com a cobertura que o discurso teve na imprensa em geral."
Bom exemplo é editorial do "New York Times", que classificou as críticas sobre a Obama como "uma interpretação totalmente errada do que ele está dizendo". "Depois de oito anos de arrogância que deixaram até amigos próximos contra os EUA, é preciso um presidente forte para reconhecer os erros do passado e para pressionar a si e ao mundo para fazerem melhor agora."
Fonte: Folha Online
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Judeus e muçulmanos dos EUA têm reações diferentes a discurso de Obama
Organizações muçulmanas e judaicas dos Estados Unidos reagiram de forma diferente ao discurso que o presidente Barack Obama fez ontem no Cairo, no qual buscou uma aproximação com o mundo islâmico e reconheceu o sofrimento do povo palestino.
"O presidente estabeleceu um novo marco nas relações entre os Estados Unidos e a comunidade muçulmana", disse à Agência Efe Salam al-Marayati, diretor-executivo do Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos (MPAC, na sigla em inglês).
Na opinião de Marayati, o discurso foi "equilibrado" porque anunciou uma mudança na política americana e, ao mesmo tempo, pediu a reforma no mundo muçulmano, ao apelar para que os Governos islâmicos reconheçam direitos básicos de seus cidadãos, inclusive os da mulher.
Por sua vez, o Comitê Antidiscriminação Árabe-Americano (ADC, em inglês) disse que, em seu discurso, Obama reconheceu o valor da civilização islâmica, o que ajuda a eliminar estereótipos equivocados sobre os árabes e os muçulmanos.
Já o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC, em inglês) evitou fazer críticas. A entidade apenas destacou que o presidente reiterou o vínculo entre os dois países e pressionou o Hamas a abandonar a violência.
No entanto, a Liga Antidifamação se disse "desanimada", porque o presidente "sentiu a necessidade de equilibrar o sofrimento dos judeus no genocídio com o dos palestinos em consequência das guerras árabes".
Por sua vez, Jennifer Laszlo Mizrahi, presidente do Projeto Israel, afirmou que Obama deveria ter esclarecido que os judeus deveriam voltar a Israel e que os refugiados palestinos têm de retornar a "uma pátria palestina", e não a suas antigas casas, localizadas onde hoje fica o Estado israelense.
Mizrahi também se disse "muito preocupada", porque Obama disse que o Irã tem a direito ter acesso a material nuclear com fins energéticos, embora haja o risco de estes caírem em mãos terroristas.
Fonte: EFE
