Marido de brasileira está na lista, divulgada neste domingo por Israel, de detentos palestinos que deverão ser trocados pelo soldado Gilad Shalit.
A Autoridade Penitenciária de Israel publicou neste domingo a lista oficial dos 477 prisioneiros palestinos que serão libertados em troca do soldado israelense Gilad Shalit, capturado por grupos palestinos há mais de cinco anos.
Logo depois da publicação, as autoridades começaram a deslocar as 27 prisioneiras que serão libertadas para a cadeia Hasharon, e os 450 prisioneiros para a cadeia de Ktziot, no sul de Israel.
Tanto em Israel como nos territórios palestinos há preparativos intensos para a troca de prisioneiros, e nos dois lados cresce a comoção pública com a aproximação da data da libertação, prevista para a próxima terça-feira.
A Cruz Vermelha deverá identificar e examinar os prisioneiros nessas duas cadeias, das quais eles serão transportados para postos de checagem militares na entrada da Faixa de Gaza e da Cisjordânia na terça.
A policia de Israel armou um forte esquema de segurança para garantir o deslocamento dos prisioneiros, já que, segundo analistas militares, existe o receio de que grupos israelenses de extrema direita tentem atacar os ônibus nos quais os palestinos serão transportados.
Ao mesmo tempo, famílias de vítimas de atentados entraram com recursos na Justiça para impedir a libertação de responsáveis por ataques que causaram a morte de seus filhos. Porém, segundo precedentes, a Justiça de Israel não costuma interferir em decisões políticas do governo.
Família Shalit
No vilarejo de Mitzpe Hila, no norte de Israel, os pais de Gilad Shalit se preparam para recebê-lo, e dezenas de veículos de comunicação, locais e internacionais, já se instalaram perto da casa da família Shalit.
Shalit é o prisioneiro de guerra israelense que ficou o período mais longo no cativeiro. A história dele causou profunda comoção em Israel e, segundo as últimas pesquisas de opinião, 90% da população apoia o acordo entre Israel e o grupo islâmico Hamas para obter a libertação do soldado.
A mídia local acompanha de perto todas as informações ligadas à libertação, inclusive detalhes mínimos como o nome exato da água de colônia que a mãe de Shalit colocou na sacola que ele deverá receber ao chegar no Egito, de onde deverá ser transferido para Israel.
Gideon Levy, colunista do jornal Haaretz, chegou a qualificar a comoção que se instalou em Israel como "psicose".
Na Faixa de Gaza, o braço armado do Hamas se prepara para transportar Shalit do local do cativeiro até o Egito - operação considerada de alto risco, pois há receios de que grupos extremistas islâmicos, ligados à Al-Qaeda, tentem sabotar a troca de prisioneiros.
De acordo com analistas, o Hamas também teme que Israel faça uma operação militar para soltar Shalit no momento em que sair do cativeiro, sem pagar o preço da soltura dos prisioneiros palestinos.
Décadas na cadeia
Na Faixa de Gaza, na Cisjordânia e em aldeias árabes em Israel, dezenas de famílias se preparam para se reunir com prisioneiros que estão há mais de 20 anos em cadeias israelenses.
O prisioneiro mais antigo é Sami Yunes, de 80 anos, da aldeia de Arara, no norte de Israel. Ele foi preso por assassinato em 1983.
Outro prisioneiro dos mais antigos é Tawfic Abdallah, 56 anos, marido da brasileira Lamia Maruf, condenado à prisão perpétua em 1986 pelo sequestro e assassinato de um soldado israelense.
O governo do Hamas começou a erguer um grande palanque na praça central da cidade de Gaza, no qual será realizada a recepção para mais de 300 prisioneiros, nesta terça-feira.
No entanto, nos territórios palestinos também há muitas famílias decepcionadas pelo fato de seus parentes não constarem da lista de libertados.
Depois da soltura dos 477 prisioneiros nesta semana, e de outros 550 dentro de dois meses, ainda restarão mais de 6 mil prisioneiros palestinos nas cadeias israelenses. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. Fonte: O Estado de São Paulo
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domingo, 16 de outubro de 2011
Palestinos e israelenses se preparam para troca de prisioneiros
Israel leva 430 presos palestinos para perto do local de troca
Sob forte esquema de segurança, Israel levou cerca de 430 prisioneiros palestinos até um presídio no deserto de Negev neste domingo (16), em uma preparação para que sejam trocados na terça-feira (18) pelo soldado israelense preso Gilad Shalit, disseram autoridades.
A troca de prisioneiros, que acontecerá perto da região do deserto egípcio do Sinai, deve pôr fim a uma saga que se tornou uma obsessão para os israelenses durante os cinco anos de cativeiro de Shalit.
Israel publicou uma lista de todos os 477 prisioneiros que deverão ser libertados junto com Shalit, na primeira fase de um acordo mediado por Egito e Alemanha, abrindo caminho para que aqueles que se opõem à sua libertação apresentem uma apelação legal em 48 horas.
"A menos que a Suprema Corte intervenha, ou que alguém em Gaza enlouqueça, parece que o acordo será cumprido daqui a dois dias", disse à rádio do Exército, Yaakov Amidror, conselheiro de segurança nacional do primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu.
Entre os que figuram na lista de soltura estão palestinos presos por ataques nos quais morreram dezenas de israelenses. Pelo menos cinco prisioneiros estão presos desde a adolescência.
Outros quarenta e sete palestinos previstos para serem libertados na terça-feira foram transferidos para uma prisão no centro de Israel.
Alguns dos 477 irão para casa, na Cisjordânia e na faixa de Gaza, enquanto outros serão exilados em outros países, que ainda não foram divulgados, sem parar em solo palestino.
Os líderes islâmicos do Hamas, que governam a faixa de Gaza, prepararam uma recepção de heróis para 295 dos prisioneiros que deverão ser enviados para o território. Trabalhadores montaram um palco aberto e as ruas foram decoradas com bandeiras palestinas e do Hamas.
"Estou tão feliz que não sei o que farei, como vou segurá-lo? Já se passaram 20 anos", disse a mãe de Baseem al-Kurd, um membro do Hamas, que foi condenado em 1992 a oito penas de prisão perpétua por ataques que mataram israelenses.
Trabalhadores prepararam um apartamento para Kurd em Gaza, pintando as paredes e consertando as portas.
O soldado israelense Shalit, tripulante de um tanque, capturado em 2006 por militantes que cavaram um túnel até Israel a partir de Gaza e o renderam, levando-o para o enclave, deve ser entregue no deserto do Sinai, no Egito, e levado para Israel.
Israel disse que cerca de 300 dos 1.027 que serão libertados nas duas fases do acordo estiveram envolvidos em crimes violentos. A segunda fase prevê a libertação de 550 prisioneiros.
Ao todo, existem cerca de 6.000 palestinos em prisões israelenses. Fonte: Reuters via Folha Online
segunda-feira, 22 de março de 2010
O relato de Mosab Yousef
Em entrevista ao Telegraph, Mosab reprovou a brutalidade do Hamas, que “está usando civis, crianças, o sofrimento diário das pessoas para atingir seus objetivos”. E salientou: “Os palestinos têm uma imagem ruim perante o mundo, mas eles são pessoas muito boas... eles são enganados, e a imagem ruim é causada por sua liderança. Eles precisam de ajuda, precisam que parem de mentir para eles e para o mundo”.
As revelações de Mosab foram divulgadas no fim de fevereiro. Alguns dias depois, integrantes da Autoridade Palestina e do Fatah reuniram-se em El Bireh, cidade palestina vizinha a Ramallah, para dedicar uma praça pública à memória de uma mulher que, em 1978, comandou o ataque terrorista mais mortífero da história de Israel.
O nome da moça é Dalal Mughrabi. Tinha 19 anos e liderava uma brigada palestina que saiu do Líbano, num barco, e aportou numa praia entre as cidades de Haifa e Tel Aviv. O grupo matou um jornalista americano, seqüestrou um ônibus, tomou outro e partiu para a chacina. 38 civis israelenses foram mortos, 13 deles crianças.
Uma pessoa ingênua poderia supor que a Autoridade Palestina, ao celebrar o 32º aniversário do assassinato de civis israelenses e homenagear a líder dos assassinos, sinaliza que não quer a paz com Israel. Mas a opinião abalizada do governo Obama e do beautiful people internacional é outra: quem atrapalha o acordo de paz é Israel, ao cometer a barbaridade de construir casas para judeus em Jerusalém Oriental. Assim não dá.
Convém ouvir as palavras de quem entende o assunto de dentro. É Mosab Yousef quem diz: “O Hamas não pode fazer as pazes com Israel. Isto é contra o que o deus deles ordena. É impossível fazer as pazes com infiéis, e ninguém sabe disso melhor do que eu. O Hamas é o responsável pela morte dos palestinos, não Israel. Eles não hesitam em massacrar pessoas numa mesquita ou em atirar pessoas do 15º andar de um edifício, como fizeram no golpe em Gaza. Os israelenses nunca fariam coisas desse tipo. Eu digo com certeza que os israelenses se importam mais com os palestinos que o Hamas ou o Fatah”.Fonte: Bruno Pontes
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
Polícia de Israel separa judeus de árabes no Dia do Perdão
A polícia de Israel montou um forte esquema de segurança nesta segunda-feira para impedir atritos entre árabes e judeus nas cidades mistas do país durante o principal feriado judaico, o Iom Kipur (Dia do Perdão), inclusive separando as comunidades em uma cidade. Em 2008, o Iom Kipur foi marcado por confrontos violentos entre cidadãos árabes e judeus na cidade de Aco, no norte de Israel. Daí a decisão da policia israelense de separar os dois grupos.
De acordo com a tradição judaica, nesse feriado o país praticamente para. Todos os veículos --inclusive o transporte público-- deixam de circular, a maioria dos judeus israelenses costuma jejuar e até a mídia local interrompe o trabalho. Nas cidades mistas, onde moram cidadãos judeus e árabes, cria-se uma situação delicada.
No ano passado, a entrada de um carro dirigido por um motorista árabe em um bairro de maioria judaica na cidade de Aco causou um tumulto generalizado, com confrontos violentos que envolveram milhares de pessoas dos dois lados.
Alguns judeus religiosos espancaram o motorista árabe e os rumores rapidamente se espalharam pela cidade, levando a um confronto que deixou dezenas de feridos e causou ampla destruição no centro comercial de Aco.
No feriado deste ano, a polícia anunciou "tolerância zero em relação a qualquer distúrbio da ordem pública". Em Aco, foram instaladas barreiras para criar separação física total entre as duas populações. Policiais foram posicionados para impedir a entrada de veículos nos bairros de maioria judaica, e judeus que quiserem entrar na Cidade Velha de Aco, onde a maioria é árabe, serão acompanhados por policiais.
Cidadãos árabes que quiserem entrar, a pé, nos bairros de maioria judaica, também serão escoltados por policiais. Famílias árabes que moram em bairros de maioria judaica concordaram em sair de suas casas por um dia.
De acordo com Jafer Frech, da ONG Mossawa, de defesa dos direitos dos cidadãos árabes, "as famílias árabes concordaram em sair para não ferir os sentimentos do público judaico". Segundo Frech, "neste ano há uma separação entre as populações e os árabes da cidade entendem que é necessário respeitar esse dia".
A preocupação com possíveis choques entre judeus e árabes no Yom Kipur também levou a polícia a entrar em estado de alerta em todas as outras cidades mistas do país --Jerusalém, Nazaré, Maalot, Yafo, Ramle e Lod. Além das forças policiais regulares, participam do esquema de segurança soldados da polícia da fronteira.
De acordo com a polícia, o objetivo é impedir "atritos étnicos nesse dia sensível". Fonte: BBC Brasil
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Judeus e muçulmanos dos EUA têm reações diferentes a discurso de Obama
Organizações muçulmanas e judaicas dos Estados Unidos reagiram de forma diferente ao discurso que o presidente Barack Obama fez ontem no Cairo, no qual buscou uma aproximação com o mundo islâmico e reconheceu o sofrimento do povo palestino.
"O presidente estabeleceu um novo marco nas relações entre os Estados Unidos e a comunidade muçulmana", disse à Agência Efe Salam al-Marayati, diretor-executivo do Conselho Muçulmano de Assuntos Públicos (MPAC, na sigla em inglês).
Na opinião de Marayati, o discurso foi "equilibrado" porque anunciou uma mudança na política americana e, ao mesmo tempo, pediu a reforma no mundo muçulmano, ao apelar para que os Governos islâmicos reconheçam direitos básicos de seus cidadãos, inclusive os da mulher.
Por sua vez, o Comitê Antidiscriminação Árabe-Americano (ADC, em inglês) disse que, em seu discurso, Obama reconheceu o valor da civilização islâmica, o que ajuda a eliminar estereótipos equivocados sobre os árabes e os muçulmanos.
Já o Comitê de Assuntos Públicos Americano-Israelense (AIPAC, em inglês) evitou fazer críticas. A entidade apenas destacou que o presidente reiterou o vínculo entre os dois países e pressionou o Hamas a abandonar a violência.
No entanto, a Liga Antidifamação se disse "desanimada", porque o presidente "sentiu a necessidade de equilibrar o sofrimento dos judeus no genocídio com o dos palestinos em consequência das guerras árabes".
Por sua vez, Jennifer Laszlo Mizrahi, presidente do Projeto Israel, afirmou que Obama deveria ter esclarecido que os judeus deveriam voltar a Israel e que os refugiados palestinos têm de retornar a "uma pátria palestina", e não a suas antigas casas, localizadas onde hoje fica o Estado israelense.
Mizrahi também se disse "muito preocupada", porque Obama disse que o Irã tem a direito ter acesso a material nuclear com fins energéticos, embora haja o risco de estes caírem em mãos terroristas.
Fonte: EFE