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quinta-feira, 17 de março de 2011

ONU aprova uso da força militar contra Gaddafi na Líbia; Brasil se abstém

Editoria de Arte / Folhapress

A resolução apresentada pela França, Reino Unido, EUA e Líbano defendendo a implementação de uma zona de exclusão aérea sobre a Líbia foi aprovada hoje no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Também foram aprovadas "todas as medidas necessárias para defender os civis" no país, exceto uma invasão por terra.

A criação dessa zona autoriza o abate de aviões do ditador líbio, Muammar Gaddafi, que decolem para atacar tropas opositoras. Em outras palavras, a ONU liberou o uso da força militar para que a resolução seja respeitada.

A medida endurece ainda o embargo e as sanções contra Gaddafi, seus familiares e círculo mais próximo de colaboradores implementadas no mês passado. Bens e fundos de investimento do ditador e sua família na Suíça e na União Europeia há haviam sido congelados semanas atrás.

A resolução foi aprovada por dez votos a favor, nenhum contra e cinco abstenções, entre elas a Rússia e a China, que detêm poder de veto. Surpreendemente, o Brasil se absteve da votação. O Itamaraty confirmou o voto brasileiro na ONU à Folha.com, por telefone.

O resultado da votação chega em meio a um clima de extrema urgência na comunidade internacional, horas após o regime de Gaddafi fazer na TV estatal uma promessa de ataques para "limpar Benghazi, sem piedade", e oferecer anistia aos que se renderem.

A embaixadora do Brasil na ONU, Maria Luiza Ribeiro Viotti, disse que o país não está convencido de que o uso da força levará ao objetivo primordial de defesa ao povo líbio e que a resolução pode ter um efeito não desejado de "aumentar os confrontos no solo".
ONU aprovou medidas militares contra a Líbia; França disse que operações podem começar em questão de horas - Foto: Stan Honda/AFP

Ela ressaltou que o Brasil continua apoiando a resolução passada no Conselho sobre a Líbia, que impôs sanções como proibição de viagens e veto à venda de armas ao país.

A diplomata brasileira condenou ainda publicamente o uso de violência contra os manifestantes, o desrespeito aos direitos humanos e pediu o direito à liberdade de expressão. Ela defendeu, contudo, uma solução aos confrontos através de um "diálogo significativo", "uma solução pacífica e sustentável".

FORÇAS ESTRANGEIRAS PREPARAM OPERAÇÃO

Horas antes da votação, o primeiro-ministro francês, François Fillon, adiantou que em caso de aprovação da medida na ONU, Paris estaria disposta a dar início às operações dentro de apenas algumas horas.

Os EUA disseram que já preparavam seus operativos e entre os países árabes, Qatar e Emirados Árabes Unidos podem participar, disse mais cedo o representante da Liga Árabe na ONU, Yahya Mahmassani.

A Itália, país cuja posição estratégica no Mediterrâneo é crucial para o sucesso de qualquer operação contra a Líbia, também dissera que participaria das ações.

"Nós não nos esquivaríamos de nossas obrigações, embora nossa posição tenha sempre sido de moderação e equilíbrio", disse o ministro da Defesa italiano Ignazio La Russa, em
Roma.
Aeroporto de Benina, em Benghazi, foi um dos primeiros alvos de Gaddafi após os rebeldes tomarem aviões - Foto: AP/APTN

A base de Sigonella, na ilha italiana da Sicília, dá suporte logístico à Sexta Frota dos EUA e é uma das bases da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) mais próximas à região.

No Reino Unido, um parlamentar próximo ao Ministério da Defesa confirmou ainda na tarde de quinta-feira que o país já mantinha caças da Força Aérea Real britânica em stand-by prontos para serem despachados ainda hoje à noite.

GADDAFI AUMENTA O TOM

"Limparemos Benghazi, toda Benghazi, dos criminosos e de qualquer um que tente ferir nosso líder e nossa revolução. Não teremos piedade contra colaboradores [dos rebeldes]", diz a mensagem do regime transmitida repetidamente durante a quinta-feira na TV estatal, prometendo ataques contra o bastião da oposição no sábado.

Forças de Gaddafi começaram o bombardeio a Benghazi na tarde desta quinta; regime prometeu "limpar" cidade.

As ameaças chegam após o regime divulgar outro comunicado alertando que ações militares externas podem resultar em danos a alvos civis e militares no Mediterrâneo como parte de um contra-ataque de suas forças.

"Qualquer ação militar externa contra a Líbia deixará todo o tráfego áereo e marítimo no mar Mediterrâneo exposto e [instalações] civis e militares se tornarão alvos do contra-ataque da Líbia", disse o comunicado transmitido pela TV estatal e distribuído pela agência oficial de notícias Jana.

Ainda na noite de quarta-feira (16), em meio a alertas do filho de Gaddafi, Saif al Islam, de que bastavam 48 horas para a vitória contra os rebeldes na Líbia, membros do Conselho de Segurança da ONU mais uma vez falharam na tentativa de obter um consenso sobre uma ação militar para deter o avanço do regime na repressão aos opositores.

O vice-embaixador da Líbia na ONU, Ibrahim Dabbashi, disse na ocasião que o mundo tinha dez horas para agir antes que um genocídio ocorra nas batalhas em Ajdabiyah, prevendo o início dos confrontos para esta quinta-feira. Fonte: Agências de Notícias via Folha Online

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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Conferência da ONU pede fundo internacional para combater o crime organizado

Depois de oito dias de seminários, debates e conferências, os cerca de 4.000 participantes do 12º Congresso da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal aprovaram nesta segunda-feira (19), último dia do evento, um documento pedindo a quebra de barreiras jurídico-legislativas nos países membros da entidade para intensificar o combate aos crimes organizado e transnacional.

“Precisamos de uma cooperação internacional mais ágil, e as fronteiras não podem servir de barreira para a impunidade”, afirmou o secretário Nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior. De acordo com o secretário, a quebra de barreiras é praticamente um consenso, “apesar de os Estados Unidos resistirem à medida”.

Outra sugestão é a criação de um fundo internacional para o combate ao crime organizado --os recursos seriam provenientes do dinheiro apreendido com o tráfico de drogas e fraudes financeiras. “Se não houver um fortalecimento conjunto de todos os países, não vamos derrotar o crime, que está com suas atividades globalizadas”, acrescentou Tuma Júnior. “Temos de asfixiar as organizações criminosas através do rastreamento, bloqueio e confisco dos bens acumulados de forma ilícita.”

O documento de Salvador será votado na Assembleia Geral da entidade, em setembro. Em caso de aprovação, os países deverão implementar as ações necessárias para cumprir as novas regras conjuntas para prevenção ao crime.

No último sábado (17), o ministro da Justiça e presidente do congresso da ONU, Luiz Paulo Barreto, afirmou que o principal objetivo do fundo é financiar os países pobres nas ações de combate ao crime organizado. “Cabe à comunidade internacional financiar estes projetos e permitir que todos tenham as mesmas condições para enfrentar o crime organizado.”

Realizado pela primeira vez no Brasil, o evento da ONU contou com representantes de 150 países, incluindo 80 ministros da Justiça. Organizado a cada cinco anos, desde 1995, o próximo congresso da entidade sobre Prevenção ao Crime e Justiça Criminal acontecerá no Catar, em 2015.

O tema desse próximo encontro será definido dois anos antes. As sugestões elaboradas pelos congressistas que participaram do encontro na capital baiana serão analisadas e debatidas na convenção das Nações Unidas Contra as Drogas e o Crime, que acontecerá no próximo mês, em Viena (Áustria).Fonte: Notícias Uol

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domingo, 21 de março de 2010

Lula almeja ser secretário-geral da ONU, diz The Times

De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria avaliando uma tentativa de se tornar o próximo secretário-geral da ONU, segundo reportagem publicada no sábado pelo jornal britânico The Times.

Lula, que deixará a Presidência da República em janeiro, pode buscar o posto quando o primeiro mandato de Ban Ki-moon terminar no final de 2011, segundo a publicação. A ideia teria sido lançada primeiramente pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy durante uma reunião da cúpula do G-20, em Pittsburgh (EUA), em setembro.

Procurado pelo diário, Marco Aurélio Garcia, assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, não descartou a possibilidade, dizendo que Lula tem "enorme interesse em questões internacionais", especialmente no processo de integração da América do Sul, e "uma grande paixão pela África". "Ele realmente quer fazer algo para ajudar a África", afirmou Garcia.

De acordo com o jornal, o estilo pessoal e a capacidade de Lula de manter relações amigáveis com todos os lados - China e Estados Unidos ou Irã e Israel - elevaram seu perfil internacional. O The Times citou ainda a postura do presidente em uma visita na última semana ao Oriente Médio, na qual disse: "O vírus da paz está comigo desde que eu estava na barriga da minha mãe.

A publicação reconheceu, contudo, que Lula recentemente adotou posições que desagradaram a Grã-Bretanha e os Estados Unidos, dois dos países que poderiam vetar sua indicação. Segundo o jornal, ele aborreceu Washington ao receber o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, em novembro, e ao criticar as sanções contra o país. A reportagem destacou ainda o apoio do presidente à Argentina na disputa com os britânicos pelas ilhas Malvinas.

Segundo o jornal, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, teria classificado as ambições de paz mundial de Lula como "risivelmente ingênuas". Diplomatas esperam que Ban Ki-moon, cauteloso ex-ministro de Relações Exteriores da Coreia do Sul, tente um segundo mandato de cinco anos, informou o The Times. Fonte: Agêcia Estado

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domingo, 24 de janeiro de 2010

Ministra nega fim das buscas e confirma cifra de 150 mil mortos

O governo haitiano confirmou neste domingo que o número de mortos no país pelo terremoto do último dia 12 já atingiu 150 mil somente na região metropolitana de Porto Príncipe, no epicentro do tremor. Ao mesmo tempo, dezenas de países começaram a enviar representantes à cidade canadense de Montreal para discutir o que pode vir a ser um "Plano Marshall" específico para o país devastado por uma das piores tragédias recentes.

"Ninguém sabe quantos corpos estão enterrados sobre os escombros --200 mil, 300 mil? Quem sabe o número total?", disse a ministra haitiana das Comunicações, Marie-Laurence Jocelyn Lassegue, à agência Associated Press.

Os números de vítimas do terremoto de 7 graus (escala Richter) podem variar conforme a fonte. O último balanço das Nações Unidas indicava um total de 111.481 mil cadáveres, enquanto ontem autoridades haitianas já estimavam um cifra na casa dos 120 mil, podendo chegar a 200 mil.

Especialistas afirmam que ainda há chances de que mais sobreviventes sejam encontrados nos escombros. Ontem, equipes de resgate internacionais conseguiram tirar com vida um homem de 24 anos, 11 dias após a tragédia que devastou o país. Wismond Exantus, soterrado sob os destroços de um mercado, alegou ter sobrevivido a base de refrigerantes e guloseimas. Ele passava o tempo rezando, cantando salmos ou dormindo.

Montreal

A reunião sobre o Haiti, que acontecerá amanhã, "estabelecerá uma visão clara e comum na comunidade internacional" para a recuperação e reconstrução a longo prazo do Haiti, disse hoje o ministro canadense de Relações Exteriores, Lawrence Cannon, durante conferência à imprensa. "Esta conferência será um passo inicial mas crítico no largo caminho da recuperação", acrescentou.

Enquanto isso, equipes internacionais continuavam o trabalho de distribuir comidas e demais mantimentos para as centenas de milhares de desabrigados pelo tremor. A distribuição de víveres, no entanto, ainda é alvo de críticas severas por especialistas, que fizeram reservas às estratégias do exército americano, que tem usado aviões e paraquedas para despachar alimentos.

"Precisamos de uma distribuição ordenada e respeitosa da comida", disse a Coordenadora Humanitária do Programa Mundial de Alimentos, Kim Bolduc.

Tropas internacionais da ONU (Organização das Nações Unidas) lideradas pelo Brasil distribuíram comida e água em uma das maiores favelas do Haiti neste domingo.

Na favela Cité Soleil, membros do Exército norte-americano formaram um corredor ao lado de casas, enquanto centenas de haitianos fizeram fila para receber pacotes de comida, água e biscoitos. A favela tem sido um foco de violência, mas não houve registros de problemas durante a entrega dos alimentos.

"A ajuda que temos disponível está sendo distribuída", disse o tenente-general Ken Keen, comandante da operação militar norte-americana no Haiti. "Mas a necessidade é tremenda (...) Todo dia é um dia melhor do que ontem. Amanhã será um dia melhor do que hoje." Fonte: Folha Online com Associated Press, Efe e France Presse

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sábado, 23 de janeiro de 2010

País perde 12 posições em ranking de educação

O Brasil perdeu 12 posições no índice de educação feito pela Unesco, o braço da ONU (Organização das Nações Unidas) para a educação e a cultura.

Relatório da Unesco diz que Brasil tem baixos índices na educação básica
A queda, do 76º para o 88º lugar entre 128 países, ocorreu principalmente em razão da piora no índice de crianças que chegam até a quarta série. Segundo a Unesco, de 80,5%, em 2005, o percentual caiu em 2007 para 75,6%.

Com isso, o IDE (Índice de Desenvolvimento Educacional) do Brasil, caiu de 0,901 para 0,883 em uma escala de 0 a 1, o menor entre todos os países do Mercosul. Isso mantém o país em um patamar considerado mediano pela Unesco.

O IDE é composto pelas taxas de alfabetização de adultos, igualdade de gênero, matrícula na educação primária e sobrevivência na escola até a quinta série -no caso do Brasil, foi considerado o dado relativo à quarta série.

Os primeiros lugares ficaram com Noruega, Japão e Alemanha. Os últimos, com Etiópia, Mali e Niger, todos no continente africano.

Repetência

Um dos piores indicadores brasileiros mostrados pelo relatório é a repetência.
Com 18,7% de taxa de reprovação no ensino fundamental no ano de 2005, de acordo com o relatório, o Brasil só perde nesse quesito para 13 países que fazem parte da África subsaariana.

No dado mais recente, relativo a 2007, essa taxa estava em 12,1% segundo o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), órgão ligado ao Ministério da Educação.

Em relação ao investimento em educação, o Brasil gastava em 2005 menos de um quarto do que os países considerados como desenvolvidos: US$ 1.257 por aluno contra US$ 5.312 por aluno.

O coordenador da Unesco no Brasil, Paolo Fontani, ressaltou a alta taxa de repetência, mas avaliou que o Brasil se saiu bem no relatório ao ter sido bem avaliado no combate ao analfabetismo e na distribuição de recursos, como o Fundeb -fundo que recebe recursos da União, Estados e municípios e viabiliza o financiamento da educação em locais mais pobres.
Procurado para comentar o relatório, o Ministério da Educação afirmou que está analisando os números mas que, de qualquer forma, todos eles se referem ao período anterior ao lançamento do PDE (Plano de Desenvolvimento da Educação), o chamado "PAC da Educação", que ocorreu em 2007. Fonte: Folha Online

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segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Brasil tem condições de dobrar efetivo no Haiti, diz comandante

O Brasil tem condições de dobrar o efetivo que mantém no Haiti, atualmente de 1.266 militares, para ajudar na reconstrução do país devastado por um forte terremoto, afirmou nesta segunda-feira o comandante do Exército, general Enzo Peri.

"A decisão de enviar mais tropas é do governo, naturalmente passando pelo Congresso Nacional, mas é preciso que (o pedido) seja formalizado pela ONU", afirmou o general a jornalistas.

Mais cedo, o ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou que o país enviaria mais soldados ao Haiti caso fosse necessário.

A declaração ocorreu pouco depois de o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, ter recomendado ao Conselho de Segurança da entidade o envio de 1.500 policiais e 2.000 soldados à missão de paz que atua no país, a Minustah.

O Conselho está reunido nesta segunda-feira para definir o aumento do efetivo de sua força no Haiti, atualmente de 9.000 soldados e policiais.

Exército do Brasil confirma morte do 16º militar no Haiti

O Comando do Exército brasileiro confirmou na manhã desta segunda-feira a identificação do corpo do tenente-coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros, que se encontrava na situação de desaparecido na cidade de Porto Príncipe, no Haiti, desde a última terça-feira, quando ocorreu o terremoto de 7 graus na Escala Richter que devastou o país. Com esta identificação, sobe para 16 o número de militares brasileiros mortos em decorrência do terremoto. Dois continuam desaparecidos.

O militar, que servia no Gabinete do Comandante do Exército, se encontrava desempenhando as funções de Observador Militar da Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti (Minustah).

Dois civis brasileiros também morreram, o diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa e a médica fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns.


Lula cobra dinheiro

Em seu primeiro programa de rádio "Café com o presidente" de 2010, Luiz Inácio Lula da Silva destacou a importância do Brasil e cobrou mais dinheiro dos países para a reconstrução do Haiti após o terremoto ocorrido na terça-feira (12).

"O mundo todo está sensibilizado. Agora, é preciso transformar essa sensibilidade em ajuda concreta, em dinheiro para que a gente possa reconstruir o Haiti. O Brasil já colocou US$ 15 milhões à disposição do Haiti e achamos que tem países que podem dar mais. O Banco Mundial já colocou US$ 100 milhões, também", afirmou.

Lula lamentou as mortes dos brasileiros no terremoto e falou sobre as medidas tomadas pelo governo do Brasil depois da tragédia. "Nós coordenamos a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização no Haiti) e, portanto, o Brasil tem um papel relevante. Nós imediatamente mandamos alimentos, aviões com bombeiros, com cães farejadores, médicos. Na semana passada, foi montado o hospital de campanha das Forças Armadas para atender às pessoas", contou o presidente.


Desastre histórico

O violento terremoto que ocorreu na terça-feira (12) já deixou um balanço parcial de 50 mil mortos. Na manhã deste sábado (16), a a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários da ONU disse que esse é é o maior desastre que a organização internacional já enfrentou em sua história.

"É um desastre histórico", explicou a porta-voz Elisabeth Byrs em Genebra. "Estamos em um país decapitado, sem estruturas políticas ou governamentais nas quais possamos nos apoiar" para levar adiante os trabalhos de ajuda e resgate, acrescentou.

A porta-voz assegurou que nem mesmo o tsunami que atingiu a ilha indonésia de Sumatra e outros países do Sudeste Asiático em dezembro de 2004, deixando mais de 300.000 mortos, provocou tanto caos.

"Nunca antes na história das Nações Unidas enfrentamos um desastre deste tamanho. Não é comparável a nenhum outro", completou, ao destacar que, ao contrário da tsunami de 2004 na Indonésia, no Haiti restaram poucas estruturas locais para canalizar a ajuda estrangeira.

"Até em Banda Aceh (a região da Indonésia mais atingida pelo tsunami) havia certas estruturas governamentais ou oficiais nas quais podíamos nos apoiar", ressaltou a representante do ONU.

A ONU, que é responsável por coordenar a ajuda humanitária no local após o terremoto de 7 graus que devastou a capital Porto Príncipe na terça-feira, afirma enfrentar "um desafio logístico maior". Fonte: Agência Estado e Reuters

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lula diz que Brasil nunca pretendeu vender Amazônia

Em Copenhague para a 15ª conferência climática patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista por escrito a dois jornais nórdicos, o "Politiken", da Dinamarca, e o "Dagbladet", da Noruega, e rechaçou a versão de que o Brasil pretenderia "vender" a Amazônia. "É claro que aceitamos dialogar com a comunidade internacional e cooperar com ela em projetos de conservação", comentou o presidente na entrevista, publicada hoje pelos dois periódicos e divulgada no Brasil pela Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto.

"Mas não posso deixar de dizer que, independentemente dessa cooperação, a meu ver ainda muito tímida, o Brasil tem enfrentado com determinação, e sobretudo com recursos próprios, o desafio de conter o desmatamento e de promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Além disso, também é pública nossa meta de redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, cujo resultado em termos de redução de emissões é superior ao que muitas potências do mundo desenvolvido estão oferecendo até o momento na COP-15", disse Lula.

E prosseguiu: "Posso garantir que, se estivéssemos à espera de o mundo pagar, o quadro do desmatamento hoje na Amazônia seria muito pior do que é." O presidente também defendeu a posição do País na conferência climática. "O Brasil assumiu essa posição (de reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões de gás carbônico) porque o combate ao aquecimento global exige compromissos sérios e concretos por parte de todos os países", declarou.

"Não podemos desperdiçar a oportunidade que Copenhague nos oferece, e por isso tenho insistido há muito tempo na necessidade da presença dos líderes mundiais na conferência. De nossa parte, quisemos dar uma contribuição clara para, assim, poder cobrar dos demais países medidas concretas para enfrentar o problema", enfatizou Lula. O presidente brasileiro observou ainda que a matriz energética do País é, em sua maior parte, limpa e defendeu a exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal. "Para se ter uma ideia, 85% da energia elétrica produzida no Brasil é limpa e renovável e 47% de todo o combustível que utilizamos é limpo e renovável", explicou.

"A descoberta do petróleo do pré-sal não vai alterar o perfil energético do País. Vamos explorar esses recursos com critério e responsabilidade, até porque eles serão importantes para gerar recursos que serão usados para construir um futuro melhor para os brasileiros, principalmente os mais pobres. Não há desenvolvimento sem energia, e em matéria do uso racional da energia temos mais lições a dar que a receber." Fonte: Agência Estado

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segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Lula: metade do dinheiro gasto com crise pode erradicar fome

Lula: metade do dinheiro gasto com crise pode erradicar fome - foto: Reuters

Autoridades se reúnem em Roma até quarta-feira para discutir questões alimentares, embora ativistas já estejam qualificando o evento como mais uma oportunidade perdida

A ONU deu início nesta segunda-feira à cúpula alimentar anunciando que a adoção de um novo tratado climático global no mês que vem em Copenhague é essencial para combater a fome. Na abertura, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou recursos para o combate à fome e disse que com a metade do que foi gasto na crise global seria possível erradicar a fome.

Autoridades se reúnem em Roma até quarta-feira para discutir questões alimentares, embora ativistas já estejam qualificando o evento como mais uma oportunidade perdida.

O ceticismo se agravou no fim de semana, quando o presidente dos EUA, Barack Obama, e outros líderes mundiais disseram que a definição do novo tratado climático deve ficar para 2010 ou depois.

"A fome é a mais terrível arma de destruição em massa existente no nosso planeta. Na verdade, ela não mata soldados, ela não mata exércitos. Ela mata, sobretudo, crianças inocentes que morrem antes de completar um ano de idade", disse Lula ao discursar na abertura do evento.

Lula defendeu ainda um maior envolvimento da comunidade internacional no combate à fome.

"O combate à fome continua praticamente à margem da ação coletiva dos governos. É como se a fome fosse invisível. Muitos parecem ter perdido a capacidade de se indignar com um sofrimento tão longe de sua realidade", disse.

Para ele, com a metade dos recursos injetados para conter a crise financeira internacional seria possível combater a fome.

"Frente à ameaça de um colapso financeiro internacional, causado pela especulação irresponsável e pela omissão dos Estados na regulação e na fiscalização do sistema, os líderes mundiais não hesitaram em gastar centenas e centenas de bilhões de dólares para salvar os bancos falidos. Com menos da metade desses recursos, seria possível erradicar a fome em todo o mundo", afirmou.

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, disse que "não pode haver segurança alimentar sem segurança climática".

"No mês que vem em Copenhague precisamos de um acordo abrangente, que forneça um firme fundamento para um tratado de cumprimento compulsório a respeito da mudança climática."

A FAO (órgão da ONU para agricultura e alimentação) prevê uma redução de 20 a 40 por cento na produtividade agrícola potencial da África, da Ásia e da América Latina se as temperaturas do planeta subirem mais de 2 graus.

Pela primeira vez o número de famintos no mundo passa de 1 bilhão, e a FAO convocou a cúpula na esperança de que os governos mundiais elevem de 5 para 17 por cento a parcela da ajuda humanitária atualmente destinada à agricultura.

Isso representaria um aumento de 7,9 para 44 bilhões de dólares --ainda assim, bem aquém do subsídio de 365 bilhões de dólares por ano dado a agricultores dos países ricos.

Mas um esboço da declaração final a ser adotada na segunda-feira inclui apenas uma promessa genérica de mais ajuda, sem prazos nem metas.

A promessa de eliminar a desnutrição até 2025 também foi retirada da proposta, que agora cita apenas um empenho em resolver o problema "o quanto antes".

O aumento nos preços dos alimentos como arroz e trigo no ano passado causou conflitos em mais de 60 países.

As nações ricas importadoras se apressaram para comprar as safras estrangeiras, levando a fome e a falta de comida à agenda política --mas também despertando temores de um novo colonialismo nos países pobres.

"Devemos combater esse novo feudalismo, devemos colocar um ponto final nessa tomada de terras dos países africanos", disse o líder da Líbia, Muammar Kaddafi. Fonte: Reuters

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domingo, 15 de novembro de 2009

Observatório Social de Maringá é primeiro em concurso da ONU, na Guatemala

O Observatório Social de Maringá (OSM) foi o grande vencedor do quinto ciclo do programa "Experiências em Inovação Social", promovido pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe das Nações Unidas (CEPAL), com apoio da Fundação Kellogg. O anúncio foi feito no campus da Universidad San Carlos de Guatemala, na Cidade da Guatemala, no começo da noite desta sexta-feira (13).

O programa da CEPAL, que é realizado desde 2004, tem como objetivo identificar, reconhecer e dar visibilidade a projetos sociais que contribuam para a redução da pobreza e a desigualdade na região, e combatam a exclusão, acontecendo alternadamente em diferentes países. De acordo com o júri do programa, o OSM coloca o dedo na ferida latino-americana e caribenha: a má gestão dos recursos públicos, que comprometem a possibilidade de o Estado investir em áreas essenciais para o desenvolvimento sustentável, como educação, saúde e estímulo à produção.

Para o empresário Ariovaldo Costa Paulo, presidente do OSM, o reconhecimento das Nações Unidas contribuirá para a replicação da experiência não apenas no Brasil, como em outros países da região. “Mais importante do que ser o primeiro colocado é ter a oportunidade de compartilhar nossa experiência com cidades de toda a América Latina e, dessa forma, contribuir para a redução de um problema histórico comum a todos os países latino-americanos: a corrupção.”

Além do reconhecimento internacional, o Observatório Social de Maringá recebeu como prêmio a quantia de 30 mil dólares, que devem ser investidos na ampliação do programa de transparência e controle dos gastos públicos. Em cinco anos, o programa "Experiências em Inovação Social" recebeu cerca de 5 mil inscrições de projetos de 27 diferentes países da América latina e d Caribe. O Brasil é recordista, com 1.004 inscrições, das quais 19 chegaram à etapa final e sete foram premiadas – sendo duas, em primeiro lugar.

Brasil na disputa

Parte integrante da Sociedade Eticamente Responsável (SER), o OSM foi selecionado pela Cepal dentre 418 projetos de 33 países e, na final, disputava o prêmio com outros 12 projetos sociais. Além da SER, levaram o nome do Brasil na decisão outras duas ONGs: o Grupo de Estudos e Apoio à Adoção de Goiânia (Geaago) e o Centro de Educação Popular e Formação Social (CEPFS), da Paraíba. Entre os finalistas do concurso ainda estavam quatro projetos da Argentina, dois do Peru, um do Chile, um da Costa Rica, um do México e outro do Uruguai. Fonte: O Diário

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Navios da Coreia do Sul e Coreia do Norte trocam tiros e elevam tensão regional

Uma patrulha naval norte-coreana e uma embarcação da Marinha da Coreia do Sul trocaram disparos nas águas do mar Ocidental (mar Amarelo) nesta terça-feira, incidente que eleva a tensão regional às vésperas da visita do presidente americano, Barack Obama, à Coreia do Sul e em meio ao discurso do regime comunista pela volta ao diálogo de desnuclearização.

Segundo a agência sul-coreana Yonhap, a breve disputa não deixou vítimas. Pyongyang, contudo, já reivindicou pedido formal de desculpas de Seul alegando que o ataque provocou sérios danos à patrulha norte-coreana.

A agência, que cita uma fonte do Ministério da Defesa em Seul, informa que uma patrulha norte-coreana cruzou a linha de fronteira marítima, o que levou à embarcação da Coreia do Sul a realizar "disparos de advertência", respondidos prontamente pelos norte-coreanos. O navio patrulha do regime comunista de Pyongyang "aparentemente sofreu danos", afirmou a fonte.

O canal sul-coreano YTN, citando fontes militares, informou que o barco norte-coreano atravessou a fronteira quando perseguia um pesqueiro chinês que operava na região.

Segundo a versão do Estado-Maior sul-coreano, o navio da Coreia do Norte "abriu fogo contra nosso navio". "Respondemos, obrigando o navio norte-coreano a recuar em sua rota", afirma um comunicado militar.

"Não houve vítimas do nosso lado. Permanecemos vigilantes quanto a novas provocações do Norte", completa o texto.

Já a agência oficial norte-coreana KCNA afirmou ainda que o navio da Coreia do Norte retornava de uma missão de reconhecimento quando "um grupo de navios de guerra das forças sul-coreanas lhe passaram a caçá-los e cometeram a grave provocação de disparar-lhe".

O incidente aconteceu às 11h28 (0h28 no horário de Brasília), perto da ilha de Daechong.

Desculpas

As autoridades norte-coreanas exigiram um pedido de desculpas e denunciaram uma "grave provocação armada'.

"As autoridades militares sul-coreanas devem apresentar desculpas ao Norte por esta provocação armada e adotar as medidas que se impõem para que uma provocação similar não volte a se repetir", afirma o Estado-Maior norte-coreano em um comunicado divulgado pela agência KCNA.

No mês passado, Pyongyang acusou Seul de ter violado a fronteira marítima em litígio e enviou navios de guerra à zona.

Ataques

O presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, convocou uma reunião ministerial de emergência após o fato, enquanto que o primeiro-ministro, Chung Un-chan, chamou à calma e assegurou que se tratou de um "enfrentamento acidental".

A linha de fronteira marítima entre os dois países, em tese ainda em guerra, já que não assinaram um tratado de paz para acabar com o conflito de 1950-1953, nunca foi reconhecida pela Coreia do Norte e é uma área de de frequentes disputas entre as duas Coreias.

Em 2002, navios de guerra norte-coreanos dispararam contra navios da Coreia do Sul e deixaram quatro mortos e 18 feridos. Posteriormente, Pyongyang se desculpou.

Três anos antes, em 1999, aconteceu outro enfrentamento que acabou com o naufrágio de um navio de Pyongyang e a morte de cerca de 80 marinheiros.

A zona de fronteira marítima entre as duas Coreias é especialmente conflituosa, já que Pyongyang rejeita a polêmica Linha do Limite do Norte (NLL), estabelecida no final da Guerra da Coreia (1950-1953) pelas tropas da ONU (Organização das Nações Unidas) lideradas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma linha fronteiriça que é objeto de disputa por ambas partes, que se acusaram mutuamente de violá-la em numerosas ocasiões.

A Coreia do Norte assinalou em inúmeras vezes que as incursões de seu vizinho do sul são "premeditadas" para intensificar a tensão, enquanto Seul repete acusações similares contra Pyongyang.

Tensão

As relações entre os dois países se agravaram consideravelmente desde fevereiro de 2008, com a chegada ao poder em Seul do presidente Lee Myung-Bak, um conservador partidário de uma posição intransigente a respeito do vizinho norte-coreano.

A tensão voltou a aumentar com o teste nuclear executado em 25 de maio por Pyongyang, condenado pela ONU, que anunciou ainda a ruptura do compromisso com o armistício de 1953 que encerrou a Guerra da Coreia.

No entanto, a Coreia do Norte, que em meados de abril se retirou das negociações multilaterais sobre seu programa nuclear e que recentemente intensificou os testes de mísseis, não descartou totalmente as opções de um diálogo.

Pyongyang também convidou o emissário americano Stephen Bosworth para tentar reativar as conversações sobre a questão nuclear. Fonte: Folha Online

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sábado, 26 de setembro de 2009

Lula fala com Obama sobre risco iraniano; líderes não querem isolar o país

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva se encontrou na manhã desta sexta-feira rapidamente com o colega dos Estados Unidos, Barack Obama, em Pittsburgh (EUA), onde participam de reunião do G20. Conforme informações passadas pelo embaixador do Brasil em Washington, Antonio Patriota, à agência de notícias France Presse, os dois conversaram sobre a segunda planta nuclear iraniana e concordaram que não é possível isolar o país.

Foto:Charles Dharapak/AP
O presidente Lula cumprimenta o colega Barack Obama no G20; americano disse que contato entre Brasil e Irã "parece bom"

Segundo o embaixador brasileiro, no encontro com Lula, Obama disse que "parece bom que o Brasil dialogue com o Irã", em referência à visita que o presidente Mahmoud Ahmadinejad deverá fazer ao país, em novembro que vem.

Nesta quarta-feira (23), na sede da ONU (Organização das Nações Unidas) em Nova York, Lula e Ahmadinejad tiveram um encontro no qual Lula defendeu o direito do Irã desenvolver energia nuclear para fins civis, desde que o país, assim como faz o Brasil, coopere com as inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

No entanto, na manhã desta sexta-feira, Obama, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, e o premiê britânico, Gordon Brown, fizeram um comunicado de repúdio à admissão, por parte do Irã, de que o país possui uma planta de enriquecimento de urânio que, para as potências ocidentais, era secreta.

Com a revelação da nova planta iraniana, assessor diplomático do presidente Lula, Marco Aurélio Garcia, ressaltou que, se as denúncias estiverem certas, o Brasil condenará o Irã, mas sem "se unir àqueles que querem encurralar o Irã". "Nós já sabemos o que resulta da política de encurralamento: resulta o Paquistão ou a Coreia do Norte", dois países que têm armas nucleares.

No pronunciamento, Obama disse que "não é a primeira vez que o Irã esconde informações" sobre o seu programa nuclear, mas fez questão de ponderar que o país tem direito à energia nuclear, exceto que o tamanho e configuração da nova planta seriam "inconsistentes com um programa nuclear pacífico".

Sem deixar de, como diz, "estender a mão", Obama voltou a pedir que o Irã se engaje nos diálogos pela desnuclearização conduzidos pelo Grupo dos Seis (EUA, Reino Unido, França, Rússia, China e Alemanha) e que mostre "ações" na reunião marcada para o próximo dia 1º de outubro, na Alemanha.

Entre Obama e Brown, o presidente francês foi o que adotou o tom mais rigoroso em relação ao Irã. Sarkozy disse que o Irã "levou a comunidade internacional por um caminho perigoso" e que "tudo precisa ser colocado na mesa agora". "Não podemos deixar os líderes iranianos ganharem tempo enquanto os motores estão em ação."

Carta

Na carta dirigida ao diretor-geral da AIEA, Mohamed El Baradei, o governo iraniano confirma a existência da planta denunciara pelas potências ocidentais, mas afirma que só dará "outras informações complementares no devido tempo e de forma apropriada", segundo os detalhes divulgados pelo porta-voz Marc Vidricaire, em comunicado.

O único dado técnico que Vidricaire adiantou é que o nível de enriquecimento de urânio seria de até 5%, condição que daria origem a um combustível pouco purificado, suficiente apenas para alimentar reatores nucleares de geração de eletricidade. O comunicado não dá detalhes sobre o conteúdo da carta, mas diz que "o organismo acredita ainda nenhum material nuclear tenha sido introduzido na instalação do Irã".

O Irã já possui uma grande usina de enriquecimento de urânio conhecida, em Natanz, a 250 km de Teerã, na região central do país, cuja existência foi revelada em 2002.

O complexo já conhecido, que tem uma parte subterrânea, é monitorado atualmente pelos inspetores da AIEA. A agência divulgou um relatório recentemente no qual dizia que o regime iraniano reduziu a quantidade de enriquecimento de urânio pela primeira vez em alguns anos, mas advertiu que ainda não foram esclarecidas as metas nucleares. Fonte: Folha Online da France Presse, em Pittsburgh

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quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Premiê de Israel pede que ONU impeça Irã de obter armas nucleares

Foto: Jason DeCrow/AP Netanyahu provocou a ONU ao questionar o espaço dado ao iraniano Ahmadinejad, que questiona o Holocausto

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, pediu nesta quinta-feira, no discurso na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que a comunidade internacional impeça que o Irã obtenha armas nucleares. "O desafio mais urgente que a ONU precisa enfrentar é o de impedir que os tiranos de Teerã obtenham armas nucleares", disse Netanyahu, cujo país é tido como detentor de armas nucleares.

Ele atacou as sucessivas negações do Holocausto feitas pelo presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad.

No último dia 18, em discurso durante o Dia de Jerusalém, uma marcha anual pró-palestinos, Ahmadinejad disse que o fato de os nazistas terem usado câmaras de gás para assassinar 6 milhões de judeus na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) é "uma mentira baseada em uma alegação mítica e não comprovada". "A existência deste regime é um insulto à dignidade dos povos', afirmou, em referência ao Estado israelense.

"Ontem, o homem que chama o Holocausto de mentira esteve neste palanque. Eu digo em nome do meu povo, o povo judeu, e em nome das pessoas decentes de todo o mundo: Você não tem vergonha? Não tem nenhuma decência?"

Netanyahu aproveitou para mostrar documentos alemães que comprovam a morte de judeus pelos nazistas durante a guerra.

Desde que chegou ao poder pela primeira vez, Ahmadinejad provocou repúdio internacional por dizer que o Holocausto é uma mentira e que Israel é um "tumor" no Oriente Médio. Seu governo chegou a realizar uma conferência em 2006 para questionar o Holocausto. O Irã não reconhece a existência de Israel e Ahmadinejad já previu em várias oportunidades nos últimos anos o fim do Estado hebraico. Em 2005 afirmou que Israel deveria ser "apagado do mapa".

Nesta quarta-feira (23), quando discursou à ONU, Ahmadinejad voltou a questionar o Estado de Israel, porém em tom mais ameno. "Como podem crimes dos ocupantes contra mulheres e crianças indefesas e a destruição de suas casas, plantações, hospitais e escolas serem apoiados incondicionalmente por certos governos?", questionou o presidente iraniano. Fonte: Folha Online com France Presse, Associated Press e Reuters

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domingo, 31 de maio de 2009

Mudança climática é responsável por 300 mil mortes ao ano, diz estudo

A mudança climática causa a morte de 300 mil pessoas ao ano e representa um custo econômico de US$ 125 bilhões (R$ 246 bilhões), segundo um relatório do Fórum Humanitário Global, presidido por Kofi Annan. O estudo foi apresentado nesta sexta-feira (29), em Londres.

A publicação da pesquisa, que conta com o apoio de vários institutos e agências internacionais, faz parte de uma estratégia que busca "pressionar" os governos para alcançar um acordo na Cúpula Mundial do Clima, que será realizada em dezembro, em Copenhague.

Annan lamentou que a crise econômica tenha relegado a luta contra a mudança climática a um segundo plano. "A mudança climática não vai esperar", afirmou o ex-secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

O relatório indica que este fenômeno afeta atualmente mais de 300 milhões de pessoas e que suas consequências prejudicam especialmente os países mais pobres --99% das pessoas que morrem em razão das consequências da mudança climática estão em países em desenvolvimento. No entanto, esses países emitem apenas "1% do CO2, diz o relatório.

As projeções realizadas para o ano de 2030 indicam que, se continuar assim, a mudança climática seria a responsável de 500 mil mortes anuais, afetaria 600 milhões de pessoas e representaria um custo econômico de US$ 300 bilhões.

O relatório sugere que o aumento no nível dos oceanos, o fenômeno da desertificação e as alterações nos padrões de chuva estão reduzindo o acesso da população à água e comida. Também aumenta os índices de diarreia, malária e problemas com nutrição.

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados sobre desastres envolvendo água, tendências populacionais e previsões econômicas.

Em casos de desastres naturais, o risco de epidemias vem principalmente pela água. Com redes de abastecimento e esgoto danificadas, a população fica exposta às doenças de transmissão hídrica, como cólera, febre tifóide e hepatite.
Fonte: Efe, em Londres

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