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quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

A civilização perdida da Amazônia

Imagens de satélite revelam rastros de formações complexas criadas por habitantes da floresta antes do descobrimento do Brasil

Vista aérea, depois de passar séculos escondidas pela vegetação, formações se tornaram visíveis devido desmatamento. Algumas chegam a 300 metros de diâmetro.

Uma pesquisa baseada em imagens aéreas pode reescrever a história da Amazônia. O estudo, feito em conjunto por pesquisadores da Universidade Federal do Acre, Universidade Federal do Pará e Instituto Iberoamericano da Finlândia, sugere que a população que viveu no local antes do descobrimento do Brasil era maior e mais desenvolvida do que se imaginava.

Até então, o consenso entre os historiadores era que a Amazônia havia sido ocupada por tribos pequenas e pouco civilizadas, principalmente nas áreas distantes dos rios, chamadas de terra firme. As imagens analisadas, no entanto, mostram grandes formações feitas pelo homem na vegetação local, tanto na terra firme quanto na várzea dos rios. Ao todo, foram encontradas 200 formações geométricas - algumas com até 300 metros de extensão. A maioria delas fica próxima à divisa entre os Estados do Acre e do Amazonas.

Chamadas pelos arqueólogos de geoglifos, as formações foram criadas entre os anos de 1244 e 1378. Segundo os estudiosos, elas ficavam escondidas pela copa de outras árvores, o que impossibilitava sua observação. Elas foram descobertos devido ao desmatamento, que diminuiu o volume da vegetação nos últimos 30 anos.

A função dos geoglifos ainda é motivo de discussão entre os pesquisadores. Alguns acreditam que eles tenham significado simbólico ou religioso; outros afirmam que a remoção da vegetação em algumas áreas pode ter algum tipo de função militar.

Baseados no tamanho das formações e na quantidade de vegetação que precisou ser removida para criá-las, os pesquisadores fizeram uma estimativa da população que vivia no local. Segundo eles, o número de habitantes pode chegar a 60 mil - uma população alta, sobretudo para a região da terra firme. Os pesquisadores também afirmam que, devido à dificuldade de observar a Amazônia via satélite, os geoglifos encontrados podem ser apenas 10% do total existente na região. Fonte: Revista Época

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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lula diz que Brasil nunca pretendeu vender Amazônia

Em Copenhague para a 15ª conferência climática patrocinada pela Organização das Nações Unidas (ONU), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva concedeu entrevista por escrito a dois jornais nórdicos, o "Politiken", da Dinamarca, e o "Dagbladet", da Noruega, e rechaçou a versão de que o Brasil pretenderia "vender" a Amazônia. "É claro que aceitamos dialogar com a comunidade internacional e cooperar com ela em projetos de conservação", comentou o presidente na entrevista, publicada hoje pelos dois periódicos e divulgada no Brasil pela Secretaria de Imprensa do Palácio do Planalto.

"Mas não posso deixar de dizer que, independentemente dessa cooperação, a meu ver ainda muito tímida, o Brasil tem enfrentado com determinação, e sobretudo com recursos próprios, o desafio de conter o desmatamento e de promover o desenvolvimento sustentável na Amazônia. Além disso, também é pública nossa meta de redução do desmatamento da Amazônia em 80% até 2020, cujo resultado em termos de redução de emissões é superior ao que muitas potências do mundo desenvolvido estão oferecendo até o momento na COP-15", disse Lula.

E prosseguiu: "Posso garantir que, se estivéssemos à espera de o mundo pagar, o quadro do desmatamento hoje na Amazônia seria muito pior do que é." O presidente também defendeu a posição do País na conferência climática. "O Brasil assumiu essa posição (de reduzir entre 36,1% e 38,9% as emissões de gás carbônico) porque o combate ao aquecimento global exige compromissos sérios e concretos por parte de todos os países", declarou.

"Não podemos desperdiçar a oportunidade que Copenhague nos oferece, e por isso tenho insistido há muito tempo na necessidade da presença dos líderes mundiais na conferência. De nossa parte, quisemos dar uma contribuição clara para, assim, poder cobrar dos demais países medidas concretas para enfrentar o problema", enfatizou Lula. O presidente brasileiro observou ainda que a matriz energética do País é, em sua maior parte, limpa e defendeu a exploração das reservas de petróleo na camada pré-sal. "Para se ter uma ideia, 85% da energia elétrica produzida no Brasil é limpa e renovável e 47% de todo o combustível que utilizamos é limpo e renovável", explicou.

"A descoberta do petróleo do pré-sal não vai alterar o perfil energético do País. Vamos explorar esses recursos com critério e responsabilidade, até porque eles serão importantes para gerar recursos que serão usados para construir um futuro melhor para os brasileiros, principalmente os mais pobres. Não há desenvolvimento sem energia, e em matéria do uso racional da energia temos mais lições a dar que a receber." Fonte: Agência Estado

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