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terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

CPI vai investigar grampos na Assembleia paranaense

Marcelo Rangel consegue 20 assinaturas para instalar a comissão. Deputado não descarta a possibilidade de parlamentares e servidores com cargo de chefia estarem envolvidos

Apenas dois dias após equipamentos para fazer escutas telefônicas terem sido encontrados no prédio da Assembleia Legislativa do Paraná, o deputado estadual Marcelo Rangel (PPS) conseguiu ontem coletar 20 assinaturas de parlamentares para pedir a instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar os grampos na Casa. Dezoito é o nú­­mero mínimo de assinaturas para instalar uma CPI na Assembleia.

O pedido para a abertura da CPI deve ser protocolado hoje por Rangel. Quem precisa autorizar o início dos trabalhos é a Mesa Diretora da Assembleia, justamente o suposto alvo das escutas (os aparelhos foram encontrados nas salas da presidência e da primeira-secretaria). O presidente da Casa, Valdir Rossoni (PSDB), disse ontem que, se o pedido cumprir as formalidades legais, vai instalar a CPI.

“Queremos investigar profundamente para dar uma resposta à sociedade paranaense. Preci­­samos saber a autoria, a motivação e a utilidade das gravações realizadas”, disse Rangel. O deputado esclarece que a responsabilidade criminal pela instalação das escutas será investigada pela Polícia. Ele diz, porém, que a instauração de uma CPI pode, além de acelerar e facilitar o inquérito policial, ajudar a investigar as motivações políticas do monitoramento da Casa.

“Tão importante quanto definir quem foi [o autor dos grampos] é saber a quem interessa e que uso dado às informações privilegiadas que podem ter sido obtidas com as escutas clandestinas. Alguma decisão [da Assembleia] foi alterada a partir destas informações?”, questiona Rangel.

“Se for um funcionário de carreira [que instalou as escutas], ele precisa ser exonerado. Se for um comissionado, é grave, pois conecta a irregularidade com o parlamentar que contratou o servidor. Se foi cometido por um parlamentar ou alguém com poder de chefia, é mais grave ainda”, disse o deputado do PPS.

Rangel avaliou ainda que o monitoramento das centrais telefônicas da Assembleia é uma ação política promovida por uma “quadrilha organizada” que pode ter ligação com parlamentares e outros funcionários e ex-funcionários da Casa. “A instalação de escuta na Assembleia indica a ação de um poder paralelo”, disse ele. “Quem fez isso tem o poder de entrar no gabinete de um deputado fora do horário de trabalho e ter tempo e perícia para instalar estas escutas.”

O deputado também ressaltou que é preciso esclarecer se os grampos têm ligação com as irregularidades descobertas no ano passado na Assembleia, quando a Gazeta do Povo e a RPC TV revelaram a existência de esquema de desvio de dinheiro por meio da contratação de funcionários fantasmas que, segundo estimativas do Ministério Público, pode ter desviado pelo menos R$ 100 milhões dos cofres públicos.

O autor do pedido da CPI admitiu que tanto ele quanto outros deputados desconfiavam da existência de grampos em gabinetes de parlamentares. “Eu sempre achei que a Assembleia estava vulnerável a situações como essa.” Um dos signatários da CPI, Luiz Eduardo Cheida (PMDB), também disse acreditar que os grampos sejam prática antiga na Casa. “As ligações muitas vezes caíam e tinham ruídos estranhos”, afirmou.

O deputado Élio Rusch (DEM) também afirmou acreditar que os grampos eram um antigo e reprovável costume da Casa. Apesar disso, ele preferiu não assinar o pedido da CPI. “Não é a função do Legis­­lativo uma investigação como essa. Não temos os meios e o pessoal especializado para fazê-la.”

A CPI dos Grampos, se for instalada, será a primeira da nova Legislatura da Assembleia. Para a instalação de uma CPI há a necessidade do apoio de um terço dos parlamentares, 18 no caso paranaense. O tempo de trabalho da comissão é de 120 dias, prazo que pode ser prorrogado dependendo do andamento dos trabalhos. A comissão deve ser composta por 11 integrantes. Fonte: Gazeta do Povo, reportagem de Sandro Moser

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terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Defesa de Milton Martini tenta obstruir julgamento

Trabalhos da CP na Câmara de Sarandi contra o prefeito de Sarandi começaram com uma hora de atraso, depois da tentativa do advogado de defesa, Celson Martini, irmão do prefeito, de destituir o relator

O primeiro dia de depoimentos à Comissão Processante (CP), instaurada na Câmara de Sarandi para julgar atos do prefeito Milton Martini (PP), foi marcado por tentativas de obstrução. Advogado de defesa do irmão, João Celso Martini, ex-prefeito de Marialva, pediu ao presidente da comissão, Luiz Carlos Aguiar (PPS), que impedisse a permanência do relator Aparecido Biancho (PT) na CP. Ele alegou que faltava isenção ao vereador porque um integrante do partido e o assessor do petista são os responsáveis pela denúncia.

Depois de cerca de 40 minutos, o presidente negou o pedido, alegando que havia sido apresentado fora do prazo. “A argumentação deveria ter sido apresentada na defesa prévia”, disse Aguiar. A comissão também lembrou que o advogado de defesa já havia tentado destituir a comissão na Justiça e teve os pedidos negados.

Marcada para começar às 14 horas desta segunda-feira, o depoimento do denunciante Nílson do Nascimento começou com uma hora de atraso.

A comissão quis saber em que ele havia se baseado para encaminhar a denúncia à Câmara. “No estado de abandono em que se encontra a cidade desde que Miltom Martini assumiu a prefeitura. Não tem um esparadrapo num posto de saúde; a Secretaria de Ação social não tem uma cesta básica para doar a um pobre; não tem uma rua sem buraco”, respondeu Nascimento.

Terminado o depoimento, a CP abriu espaço para que a defesa também fizesse perguntas. Celso Martini ensaiou um discurso, dizendo que estava ali como “advogado e patrocinador da defesa de Milton Martini por acreditar na inocência dele”. O presidente da comissão lembrou que o espaço era destinado apenas a perguntas. A ata do primeiro depoimento foi lida, relida e rescrita diversas vezes até ser assinada pelo advogado .

Só às 17h10 foi chamada a segunda testemunha, Elizangela Freitas. O advogado pediu a impugnação da testemunha, alegando que ela não podia ter sido convocada. Pedido negado, a testemunha confirmou que foi chefe do setor de Contratos e Convênios da prefeitura e reconheceu as assinaturas dos documentos que autorizaram a compra de equipamentos na loja da mulher do ex-chefe de Gabinete.

O depoimento da terceira testemunha, Carlos Falashi, começou às 18h30. A comissão quis saber o trâmite normal de uma compra. Ao responder a sequência, a comissão perguntou: “Por que a nota foi feita antes do empenho?” Falashi não soube explicar. Fonte: O Diário, reportagem de Edmundo Pacheco

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