Participe da comunidade do meu Blog

Mostrando postagens com marcador Catanduvas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Catanduvas. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Sem direito a conversa reservada

Penitenciária Federal de Catanduvas, no Oeste do Paraná, é a única que tem autorização da Justiça para gravar em áudio e vídeo o encontro de detentos com advogados: medida visa coibir que defensores sejam usados para repassar informações - Fotos: Hedeson Alves/Gazeta do Povo

Governo quer monitorar diálogos de presos com advogados em todos os presídios federais. Em Catanduvas, gravação revela ordem para comprar fuzis

Os ataques no Rio de Janeiro não foram a primeira ordem que partiu de detentos do presídio federal de Catanduvas, no Oeste do Paraná. Em abril deste ano, a direção da unidade flagrou uma conversa do traficante Marco Antônio Firmino, o My Thor, com a advogada Beatriz da Costa Silva de Souza – presa na semana passada, acusada de ser mensageira do tráfico – em que ele ordena a compra de armas. “Pede 13 ‘perfumes’, mas devagar, não precisa ser todos de uma vez”, disse o criminoso. Os perfumes seriam fuzis.

O recado só foi flagrado porque há mais de um ano a penitenciária grava todas as conversas de advogados com os presos. O objetivo é justamente coibir que os defensores sejam usados para transmitir ordens e receber informações sobre crimes. Mas, hoje, isso só é possível com autorização da Justiça, caso de Catanduvas. Por isso, o Ministério da Justiça prepara um pacote de ações para permitir a gravação de todas as conversas de detentos com advogados e familiares (leia mais ao lado).

O vice-diretor do presídio de Catanduvas, Daniel Senna, explica que, após o encontro no parlatório (local em que não há o contato físico entre preso e advogado), o Serviço de Inteligência escuta a conversa à procura de indícios de irregularidades. No caso dos “perfumes”, Senna fala que os agentes penitenciários já têm uma espécie de lista de “sinônimos” usados pelos presos para tentar conversar com o advogado sem chamar a atenção.

Beatriz chegou a ser detida e ficar oito meses impedida de entrar no presídio. Ela entrou com um mandado de segurança contestando a proibição, que foi indeferido pelo juiz federal Nivaldo Bru­­noni em setembro. “Era bastante claro que o diálogo não se tratava de perfumes”, diz o magistrado.

Agente penitenciária monitora alas em Catanduvas: gravação de conversas é alvo de críticas da OAB

“Estado policialesco”

O presidente da Ordem dos Advo­­gados do Brasil (OAB), Ophir Caval­cante, afirma que a gravação das conversas entre advogados e clientes é inadmissível e alimenta o “estado policialesco”. Para ele, a sociedade não pode ser movida pelo clamor de momento críticos, como o do Rio. “Da mesma forma que o jornalista tem o direito ao sigilo da fonte e o religioso, do confessionário, o advogado tem o direito à privacidade com seu cliente. Não observamos esse tipo de tratamento nem nas piores ditaduras”, afirma.

O vice-presidente do Sindicato dos Agentes Penitenciários Federais do Paraná (Sindapf), Leonardo Alves, lamenta as críticas e garante que o sistema de controle da comunicação dos presos funciona até onde a lei permite. Ele lembra que não é permitido, por exemplo, gravar as conversas de detentos com familiares ou durante a visita íntima. Ele ainda exaltou os resultados de controle dos presos conseguidos desde a inauguração do sistema federal de detenção em 2006. “É zero de corrupção (entre os agentes), não temos registro de nenhuma fuga em cinco anos, como também nenhum incidente de maior gravidade, como uma rebelião.”

O caso de Beatriz não foi o primeiro em Catanduvas. Em março de 2009, uma advogada foi detida dentro do próprio presídio depois de encontrar-se no parlatório com um membro do Comando Ver­­melho. Durante a conversa, a ad­­vogada mostrou uma carta manuscrita através do vidro blindado que separava os dois. O papel trazia informações sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC), grupo criminoso de São Paulo. Na saída, os agentes penitenciários e alguns policiais federais questionaram a advogada sobre a conduta dela e exibiram a filmagem. Ela, inicialmente, negou transmitir recados sobre crimes, rasgou parte da carta e tentou esconder o documento.

Julgamento

Hoje, a partir das 16 horas, o futuro profissional de Beatriz e dos advogados Flavia Pinheiro Froes e Luiz Fernando Costa, acusados de transmitir ordens de traficantes presos, será decidido em reunião do Conselho Pleno da OAB-RJ. Os três tiveram a prisão decretada na última sexta-feira, dois dias após ligações telefônicas da Justiça do Rio terem comprovado a participação deles na combinação dos ataques que começaram no último dia 20.

O relator dos três processos na OAB-RJ, Eduardo Antônio Kala­­che, informou via assessoria que deverá votar pela suspensão preventiva dos advogados. Como os processos correm em sigilo, no entanto, o voto dos outros conselheiros só serão revelados mesmo hoje à tarde. Fonte: Gazeta do Povo, reportagem de Heliberton Cesca, enviado especial, e Fabiane Ziolla Menezes, com agências

Leia mais >>

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Criminosos comandaram confronto no Rio a partir de presídio no Paraná

As investigações do setor de inteligência da Polícia Civil apontam que a invasão no morro dos Macacos, na zona norte do Rio, foi articulada por chefes da facção CV (Comando Vermelho) que estão no presídio federal de segurança máxima de Catanduvas, no Paraná. A ação, na madrugada de sábado (17), resultou em confrontos entre traficantes e com a polícia. Ao menos 14 pessoas morreram e oito ficaram feridas.
Entre os presos em Catanduvas está Márcio dos Santos Nepomucemo, o Marcinho VP –ligado ao CV–, mas a polícia não divulgou os nomes dos criminosos que estariam envolvidos no planejamento do ataque.

Em disputa pelos pontos de venda de drogas, traficantes do morro São João –controlado pelo CV– e aliados invadiram o morro dos Macacos, controlado pela ADA (Amigos dos Amigos). Após dois dias de confrontos, a madrugada desta segunda-feira foi tranquila no Rio. Não foram registrados novos tiroteios.

Na noite de domingo (18), policiais do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais, da PM) localizaram dois corpos no morro São João. De acordo com a SSP (Secretaria de Segurança Pública), com esses novos corpos localizados, sobe para 14 o número de vítimas do confronto, entre eles dois policiais militares.

As buscas na mata no morro São João foram interrompidas durante a noite, devido à má visibilidade, e serão retomadas hoje para tentar localizar um terceiro corpo que estaria no local indicado por moradores por meio de denúncia anônima.

Cerco e possíveis invasões
A Polícia Militar mantém os cercos nos morros dos Macacos, Quieto, Matriz e São João. A operação deve continuar por tempo indeterminado para “evitar a fuga de criminosos que poderiam estar no interior dessas comunidades”, informou a corporação em nota. No entanto, não estão descartadas operações em outros morros.

O secretário de Segurança Pública José Mariano Beltrame admitiu no domingo que podem ocorrer novas invasões de traficantes em favelas inimigas na região metropolitana do Rio. Embora tenha dito que a secretaria, PM e Polícia Civil estão se dedicando com sucesso a antecipar as incursões do tráfico, Beltrame afirmou que não há como dar garantias à população de que episódios não se repitam.

Durante os confrontos de sábado, um helicóptero da PM foi atingido por tiros; a aeronave explodiu após um pouso forçado, causando a morte de dois policiais.
Familiares de três mortos durante a onda de violência afirmam que eles são inocentes e foram baleados quando voltavam para casa, no morro dos Macacos, após uma festa. O comandante da PM do Rio reconheceu no domingo que pode haver mais inocentes entre as vítimas do confronto. Segundo ele, alguns dos mortos podem ter sido classificados equivocadamente como criminosos.

Recompensa
O Clube de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio informou no domingo que será paga recompensa de R$ 2.000 a quem oferecer informações que levem a captura do responsável pela queda do helicóptero da PM sábado (17) durante confronto com traficantes no morro dos Macacos, zona norte do Rio.

Segundo o presidente da associação, Jorge Lobão, o valor da recompensa vem da receita da própria instituição e visa mobilizar a sociedade para reagir contra a violência. As denúncias podem ser feitas pelo telefone do clube –0/xx/21/2117-2000– ou ainda pelo celular 0/xx/21/8181-7370. Até as 19h de hoje ainda não existia um balanço de denúncias recebidas sobre o caso. Fonte: Folha Online

Leia mais >>