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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Escutas mostram desvios durante ocupação no Complexo do Alemão

Policiais militares e civis não se empenharam só em desviar armas, drogas e dinheiro na ocupação no fim de novembro do Complexo do Alemão (zona norte do Rio). Nem pares de tênis escapavam da caça aos bens de traficantes que fugiram da favela com chegada da polícia.

É o que mostram escutas telefônicas feitas pela Polícia Federal na Operação Guilhotina, deflagrada na sexta-feira (11) contra esquema de corrupção nas polícias do Rio.

A Folha obteve áudios das escutas.

TV LED

Informante - Se achar ela, melhor ainda. Ela que é o boi, né. Ela sabe até de saco de dinheiro. Se achar ela... Olha só.

Policial - Hã

Informante - Se tu achar aquela televisão LED intocada, que tu falou. Tu entra na minha casa, como se fosse dar uma geral. Se quiser esquecer ela lá, eu te agradeço.

Policial - Tá vai ser agora de manhã.

Informante - Quando der.

Policial - Não esquenta não. Tem problema não.


PARES DE TÊNIS

PM 1 - Antes da Joaquim de Queiroz [uma das principais ruas do Alemão] tem um estacionamento.

PM 2 - Tem.

PM 1 - Entrei nele e subiu na laje e desci. Porra, tem uma laje que tem dois, quatro, sete pares de tênis zero. Tudo escondido atrás das coisas.

PM 2 - Tá. Pede para alguém. Alguém que tiver junto da galera toda. Descer na ponta aí, que eu vou começar a levar um lanche para vocês aí.

PM 1 - Tá pode descer com a viatura. Entra com a viatura no estacionamento.

PM 2 - Tá manero.


SERRA PELADA

Policial 1 - Fala, parceiro

Policial 2 - Aí irmão, beleza?

Policial 1 - Tranquilidade.

Policial 2 - Tranquilão. Tou aqui no Alemão. Operação aqui ontem. Hoje

Policial 1 - Também estou trabalhando hoje. Botei meu nome para ir aí. Só que eles não deixam a gente ir aí não.

Policial 2 - Pô que pica né. Todo mundo aqui, parceiro. Tudo que é viatura. Tudo que é batalhão rodando aqui, irmão.

Policial 1 - É.

Polcial 2 - Tentando a sorte todo mundo. Foda, maior desespero.

Policial 1 - Disseram que aí virou Serra Pelada. No topo do morro Serra Pelada.

Policial 2 - Ah?

Policial 1 - Em cima do topo do morro, Serra Pelada?

Policial 2 - Tem.

Policial 1 - Tem buraco para tudo quanto é lado. Para achar algumas coisas.

Policial 2 - Nego tá cavando aqui tudo, parceiro.

Policial 1 - É né.

Policial 2 - De vez em quando acha alguma coisa. Sem informação fica difícil. Casa de vagabundo tá tudo revirado já.

Policial 1 - Risos

Policial 2 - Tudo revirado, parceiro. Não sobre nada. Fonte: Folha Online, reportagem de Hudson Corrêa e Diana Brito

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sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Pastor Marcos Pereira conta como evangélicos ajudaram a evitar banho de sangue na ocupação do Alemão


Pastor Marcos Pereira comenta como a ação dos religiosos contribuiu para evitar massacre na ocupação das favelas do Complexo do Alemão.

O pastor-presidente da Assembleia de Deus dos Últimos Dias (ADUD), Marcos Pereira da Silva, conhecido pelo trabalho evangelístico nas comunidades do Rio de Janeiro e nos presídios brasileiros, elogiou o trabalho da polícia na ocupação das favelas do Complexo do Alemão, no entanto, lembrou que a atuação dos grupos evangélicos contribuiu para o sucesso da operação.

Em entrevista exclusiva à revista Exibir Gospel, cuja equipe de reportagem esteve no Rio de Janeiro para uma matéria especial na comunidade, o pastor declarou: “Os religiosos tiveram um papel muito importante. Os traficantes foram enfraquecidos pelo poder da Palavra de Deus”, afirmou.

Alguns criminosos do Complexo do Alemão chegaram a pedir a presença do pastor, que acabou não sendo solicitado pelas forças de segurança. Sua equipe, porém, esteve lá momentos antes da ocupação do morro. “Os traficantes estavam desesperados, preparando ataques e reivindicações, mas conseguimos convencê-los a não reagir e evitar um banho de sangue”, conta.

O pastor, que mantém também um centro de recuperação para dependentes químicos, falou ainda sobre como lida com os traficantes das várias comunidades cariocas. “Eles confiam em mim porque sabem que o meu trabalho é sério, que recupero jovens como eles”.

Durante a entrevista, Marcos Pereira revelou ainda que, em breve, partirá para um grande trabalho missionário em Belém do Pará, com o objetivo de evangelizar os detentos da cidade, em torno de 180 mil pessoas.Fonte: O Verbo / Mogi News / Exibir Gospel

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sábado, 27 de novembro de 2010

Traficantes aguardam ordens de comando de facção para decidir sobre rendição

Cerca de 500 bandidos estariam escondidos no Alemão

A polícia tem informações de que os traficantes encurralados no complexo de favelas do Alemão aguardam uma decisão do comando da facção criminosa para saber se vão se entregar ou não.

Nesta manhã, o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Mário Sérgio Duarte, deu um ultimato para que os criminosos se entreguem. Até um posto para a rendição dos bandidos foi montado na rua Joaquim de Queirós, na favela da Grota, foi montado.

Nós estamos a postos para invadir o Complexo do Alemão a qualquer momento. É melhor eles se renderem agora e levantarem as armas enquanto é tempo, porque quando a gente invadir vai ser mais difícil. Os traficantes que ainda estão lá podem colocar suas armas para o alto e se entregarem. Ainda dá tempo.

Para o oficial, os criminosos não têm chances contra as forças policiais do Estado.

- Não existe a menor chance de os traficantes terem êxito nessa guerra do Alemão. Os bandidos têm a chance de se entregar agora. Estamos chegando nos momentos finais para entrar no Alemão. Temos homens, munição e equipamentos para fazer isso. Eles devem se entregar agora e ter o tratamento que a Lei lhes garante.

Fontes da polícia ainda não conseguiram descobrir junto aos informantes qual é a tendência a ser seguida. O monitoramento dos criminosos está difícil porque eles não estão se comunicando por telefones celulares e sim por programas de conversas pelo computador.

A polícia acredita que cerca de 500 bandidos ainda estejam escondidos na favela. Alguns chefões teriam fugido mas outros teriam permanecido no local. Há informações desencontradas sobre isso.

O Alemão está cercado por policiais civis e militares, além de tropas do Exército, que usam blindados. O coordenador da ONG AfroReggae, José Júnior, está na comunidade e poderá negociar a rendição dos bandidos. Criminosos temem que, caso decidam se entregar, sejam mortos a mando dos chefes do tráfico.

Homens fortes do tráfico são baleados e presos

Pela manhã, a PM confirmou que os dois baleados na madrugada por militares do Exército são os criminosos Ricardo Severo, o Faustão e Tássio Faustino, o Branquinho, que ocupam cargos de gerência no tráfico na favela Vila Cruzeiro.

Os dois criminosos foram baleados quando tentavam furar um bloqueio montado pelo Exército na rua Canitá, na entrada da favela da Fazendinha, no complexo do Alemão. Ambos foram atingidos nas nádegas.

Faustão e Branquinho foram apresentados no batalhão da Maré (22ª BPM). O segundo bandido, de acordo com a PM, é responsável pelas finanças da quadrilha da Vila Cruzeiro. Fonte: R7.com

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Polícia prepara local para rendição de traficantes no Alemão

Segundo RP da corporação, já há um lugar separado para levar os presos.
Coordenador do AfroReggae está na comunidade para ajudar no processo.

Depois do aviso do comandante-geral da Polícia Militar do Rio para que traficantes do Conjunto de Favelas do Alemão se entregassem, o relações públicas da corporação anunciou no início da tarde deste sábado (27) que já foi montado na comunidade um local para que sejam feitas as rendições.

Segundo o relações públicas, coronel Lima Castro, o local é na Rua Joaquim de Queiroz, esquina com a Rua Itararé, na Zona Norte do Rio. A polícia pede ainda que os criminosos que forem ao local cheguem desarmados ou com as armas acima da cabeça. Já está preparado também um lugar específico para levar os criminosos detidos. O coordenador do AfroReggae, José Júnior, está no local para ajudar no processo.

Estamos do lado de fora por pouco tempo', diz comandante
O comandante-geral da PM, coronel Mário Sérgio Duarte, disse nesta manhã que a entrada da polícia no Conjunto de Favelas do Alemão pode acontecer a qualquer momento. "Estamos do lado de fora por pouco tempo", afirmou ele durante entrevista coletiva no 22º BPM (Maré).

“Não vamos recuar da decisão de pacificar o Rio. Estamos chegando aos momentos finais para alcançar os traficantes que estão no Alemão”, afirmou Duarte, que fez um apelo para que os traficantes se rendam: "Quem quiser se entregar, faça-o agora".

De acordo com ele, não há hipótese de os criminosos saírem bem sucedidos desta operação. Duarte disse ainda que não acredita ainda em uma união entre facções criminosas da Rocinha e da Vila Cruzeiro e garantiu que está mantendo o cerco para onde os bandidos possam fugir.

Polícia encontra máquina de contagem de cédulas
Ainda nesta sábado, a polícia divulgou o balanço do número de apreensões na Vila Cruzeiro na sexta. De acordo com a assessoria da polícia, foram encontradas 6 metralhadoras, 4 espingardas, 39 tabletes de maconha, 220 papelotes, 111 sacolés e 15 tabletes de cocaína, uma bomba caseira, um colete a prova de balas, um uniforme camuflado, uma máquina de contagem de cédulas e uma bomba caseira.

Desde sexta, cerca de 800 homens do Exército cercam a favela, junto com policiais do Batalhão de Choque da Polícia Militar. Neste sábado, os agentes intensificaram as blitzes e revistas no local. Além de pedestres, veículos de passeio, táxis e até caminhões de lixo são revistados. Nesta manhã, era possível ouvir alguns tiros no local.

Homens do Exército apreenderam na região uma mochila com mais de 30 mil dólares, segundo o Comando Militar do Leste. Dois homens foram baleados após furarem o cerco policial no entorno da favela . Segundo a polícia, eles estavam envolvidos na queda de um helicóptero da polícia ano passado no Morro dos Macacos, também na Zona Norte da cidade, e seriam chefes do tráfico no local. As informações são da Polícia Militar. Fonte: G1.com

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Comandante diz que a PM vai invadir Complexo do Alemão "a qualquer momento"

O comandante-geral da PM do Rio, coronel Mário Sérgio Duarte, disse neste sábado que a polícia vai invadir o Complexo do Alemão, conjunto de favelas localizado na zona norte, "a qualquer momento". Segundo o oficial, a decisão já está tomada e não há possibilidade de se voltar atrás.

"Temos toda a superioridade. Não há hipótese de os traficantes serem bem sucedidos. Eles devem se entregar, essa é a hora. Depois que entrarmos, as coisas serão complicadas", afirmou o comandante da PM.

Lideranças do tráfico do Alemão estão tentando sair da região, segundo o coronel. Ele usou como exemplo a prisão dos traficantes Ricardo Severo, vulgo Faustão, e Tassio Fernando Faustino, capturados na madrugada deste sábado quando tentavam deixar o morro da Fazendinha, no Complexo do Alemão.

O Exército segue cercando 44 pontos de acesso. Mais cedo, por volta das 7h30, foram ouvidos alguns tiros no morro do Adeus, no bairro de Ramos, mas a situação no momento é de aparente tranquilidade.

Ontem, na chegada dos 800 soldados à região, houve intenso tiroteio e um militar das Forças Armadas foi baleado sem gravidade e pelo menos outros cinco civis ficaram feridos.

Cinco blindados do Exército circulam pela região, ajudando a patrulhar os acessos ao Complexo do Alemão. Os soldados revistam carros e motos suspeitos que passam pelo local.

Os moradores seguem sua rotina normalmente. Embora temerosos, dizem estar acostumados com situações como essa e lembram que não é a primeira vez que o Exército patrulha favelas na região.

Algumas mulheres passaram carregando cartazes com os dizeres "políticas públicas, não tiros" e "tudo pela paz, nada pela guerra". Crianças também passaram carregando balões brancos e uma delas tinha a palavra "paz" pintada no rosto.

A operação conta também com homens do batalhão de Olaria e do grupamento de choque.

Para conter a onda de violência iniciada em 21 de novembro no Rio, a polícia iniciou operações em diferentes morros e favelas. Com auxílio de blindados da Marinha, a polícia entrou na favela da Vila Cruzeiro, no complexo da Penha (zona norte), na quinta (22). Com a aproximação dos policiais, traficantes fugiram para uma comunidade vizinha, no Complexo do Alemão. Fonte: Folha Online, reportagem de Cirilo Júnior

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