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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Tenente-coronel aposentado é condenado a 18 anos de prisão

Ele é acusado de comandar um grupo de ex-policiais que faziam, de forma irregular, a segurança de algumas propriedades rurais na região dos Campos Gerais

O tenente-coronel aposentado da Polícia Militar (PM), Valdir Copetti Neves, foi condenado nesta quinta-feira (17) pela Justiça Federal a 18 anos e 8 meses de prisão. Além disso, ele vai perder o cargo que possuía na PM e terá que pagar uma multa de cerca de R$ 20 mil. O homem é acusado de formar uma quadrilha com policias aposentados que fariam a guarda ilegal de terras em Ponta Grossa, na região dos Campos Gerais.

Segundo denúncia do Ministério Público Federal (MPF), em outubro de 2004, fazendeiros contrataram um grupo de ex-PMs, comandado por Neves, para fazer a segurança de algumas propriedades rurais. Eles utilizavam armas sem registro e, de acordo com o MPF, algumas teriam sido importadas irregularmente.

Em dezembro de 2004, depois de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadirem um sítio próximo a um território monitorado pela quadrilha, os PMs tentaram sem sucesso desocupar a terra à força. O tenente-coronel ainda teria pagado uma mulher para que fizesse uma falsa denúncia contra lideranças do MST e planejado um acidente de carro para que se colocasse maconha no veículo de um dos líderes do movimento.

Em abril de 2005, uma operação da Polícia Federal (PF), batizada como “Março Branco”, prendeu Neves e outras sete pessoas por formarem a organização criminosa que prestava os “serviços” de segurança particular. Na época, junto com os acusados foram encontrados recibos de pagamentos realizados pelos fazendeiros à quadrilha.

O processo contra Neves tramitou na 1ª Vara Federal e no Juizado Especial Criminal de Ponta Grossa. O documento da Justiça que publica a sentença final contra o tenente-coronel afirma que “o réu frustrou as expectativas da sociedade, que esperava vê-lo como garantidor da correta aplicação da lei e jamais o contrário, ou seja, como criminoso contumaz e sério. Assim, faz-se absolutamente imperiosa a perda do cargo publico de tenente-coronel da Polícia Militar”.

Ele foi condenado por exercício arbitrário das próprias razões, constrangimento ilegal, formação de quadrilha, tráfico internacional de arma de fogo e também por fornecer maconha para ser colocada no veículo de um terceiro. Poderá recorrer em liberdade.

Outros crimes

Também no ano de 2005, Neves foi acusado de integrar uma quadrilha suspeita de planejar e executar roubos contra comerciantes de Curitiba para depois oferecer um serviço clandestino de segurança. Policiais militares, advogados e assaltantes faziam parte do grupo que foi descoberto em uma força-tarefa da PG e da Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesp-PR). Fonte: Gazeta do Povo

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segunda-feira, 1 de junho de 2009

Paraná lidera lista de assinaturas para barrar os fichas-sujas

Projeto de lei de iniciativa popular propõe que políticos condenados na Justiça ou que renunciaram ao mandato para não serem cassados sejam considerados inelegíveis

O Paraná é o estado líder na coleta de assinaturas para o projeto de lei de iniciativa popular que pretende barrar os candidatos a cargos eletivos acusados de crimes, os chamados fichas-sujas. Das 700 mil assinaturas recolhidas até agora, 140 mil saíram do estado. São Paulo está em segundo lugar, com 94 mil adesões. Pela proposta, os políticos condenados na Justiça ou que renunciaram ao mandato para não serem cassados serão considerados inelegíveis.


Para o projeto começar a tramitar no Congresso, ainda são necessárias outras 600 mil assinaturas. Com isso, será possível chegar a 1,3 milhão de adesões de eleitores –- cerca de 1% do eleitorado do país –, o mínimo exigido pela Constituição Federal para as propostas de iniciativa popular começarem a tramitar no Congresso.

A campanha, chamada de Ficha Limpa, é liderada pelo Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), organização não governamental formada por entidades como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e 40 outras, que têm como objetivo fiscalizar os políticos. A CNBB foi responsável por cerca de 75% das assinaturas recolhidas até agora.

No Paraná, a adesão das dioceses à ideia foi um dos principais pontos para o sucesso da campanha no estado. O assessor jurídico da CNBB no Paraná, Marino Galvão, conta que cidades do interior, como Palmas e Francisco Beltrão, estão sendo importantes na coleta de assinaturas. Ele não sabe precisar os números, mas estima que quase a metade das adesões do estado ao projeto até agora veio de fora da capital.

Além das igrejas, outras entidades no estado também estão envolvidas na Campanha Ficha Limpa. Uma delas é o Movimento pela Ética na Política (MEP), de Curitiba. O grupo está na busca por assinaturas desde abril do ano passado, quando começou a campanha. Segundo o aposentado Benjamim Bogo, um dos integrantes do grupo, a receptividade das pessoas à ideia é boa, mas há situações que atrapalham a busca por adesões. “Um dos problemas é que é preciso colher também o número do título de eleitor e pouca gente anda com esse documento no bolso ou sabe o número decorado”, comenta.

Bogo conta que, por isso, o grupo adotou uma nova estratégia. “Quando a pessoa não tem o documento, mas se mostra interessada pela campanha, nós deixamos uma ficha de adesão para ela preencher e recolher assinaturas de outros eleitores, pessoas da família. Depois, ela nos entrega no mesmo local.”

Demora

Apesar dos esforços para coletar assinaturas para o projeto, é pouco provável que ele seja aprovado no Congresso a tempo de começar a valer para a eleição de 2010. “Não vamos parar a campanha de coleta de assinaturas, mas o mais provável é que a nova regra só passe a valer em 2012. Para ela ser aplicada já no ano que vem, seria necessária que fosse aprovada até outubro deste ano, o que dificilmente acontecerá”, diz Galvão.

Bogo, no entanto, ainda tem esperanças. “Precisa ser aprovada já para 2010. Estamos nos esforçando para isso”, conta o aposentado. Ele também fez parte da coleta assinaturas para criar a Lei 9840, que determina a cassação dos políticos acusados de compra de votos. A campanha começou em 1998 e a lei foi aprovada e sancionada em 1999 a tempo de valer para as eleições do ano seguinte. A proposta já resultou na cassação de cerca de 620 políticos, entre eles os governadores Cunha Lima (PSDB), da Paraíba, e Jackson Lago (PDT), do Maranhão.

Serviço:

Os interessados em apoiar o projeto também podem encontrar o formulário de adesão no site do MCCE (www.mcce.org.br). A ficha preenchida pode ser enviada para a central da ONG em Brasília, entregue ao MEP, em Curitiba, ou em outros postos de coleta de sua cidade.
Fonte: Portal RPC

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