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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Irã rejeita por antecipação relatório da AIEA e desafia Washington

De acordo com fontes diplomáticas ocidentais, o novo relatório da AIEA reafirma as suspeitas sobre as ambições militares do programa nuclear iraniano

O chefe da diplomacia iraniana, Ali Akbar Salehi, rejeitou previamente nesta terça-feira todas as acusações sobre o programa nuclear militar de seu país antes mesmos da publicação do relatório da AIEA sobre sua capacidade nuclear, e afirmou que os ocidentais continuam sem "nenhuma prova séria".

O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad, citado pelo site da televisão pública iraniana, também se pronunciou a respeito da publicação desse relatório, que acontecerá entre esta terça e quarta-feira.

"Os Estados Unidos possuem 5.000 bombas atômicas e nos acusam imprudentemente de fabricar armas nucleares. Eles precisam entender que se cortarem a mão que estenderam para o mundo, ninguém mais precisará de bomba atômica", declarou o presidente, segundo o site.

Durante uma coletiva de imprensa em Erevan, Salehi foi questionado sobre o relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e afirmou que "não existe nenhuma prova séria de que o Irã fabrica uma bomba nuclear".

De acordo com fontes diplomáticas ocidentais, o novo relatório da AIEA reafirma as suspeitas sobre as ambições militares do programa nuclear iraniano. Teerã sempre negou querer adquirir armas nucleares e garante que as pesquisas realizadas visam unicamente à produção de energia.

"O Ocidente e os Estados Unidos exercem uma pressão sobre o Irã sem argumentos sérios nem provas", disse Salehi.

"Nós sempre repetimos que não queremos fabricar armas nucleares. Nossa posição sempre foi de utilizar o programa nuclear para fins pacíficos", acrescentou.

Para o diplomata, "se a AIEA apresentar um relatório que não é objetivo, perderá credibilidade".

A AIEA deve criticar em seu relatório a "ausência de cooperação" do Irã e "o desrespeito as suas obrigações" como país membro, principalmente por continuar com o enriquecimento do urânio, que poderá levar o país à produção da arma atômica, afirmam fontes diplomáticas.

O chefe da diplomacia israelense, Avigdor Lieberman, citado pelo jornal Maariv, exigiu que a comunidade internacional aplique sanções internacionais "severas e incapacitantes".

Por sua vez, a China pediu nesta terça-feira a cooperação sincera do Irã com a AIEA, preconizando o "diálogo e a cooperação".

O presidente israelense, Shimon Peres, alertou no domingo que "a possibilidade de um ataque militar contra o Irã - inimigo declarado de Israel - está mais próximo do que uma opção diplomática".

O presidente russo Dmitri Medvedev advertiu contra esta "retórica perigosa", embora reconheça que Teerã não cumpre com os seus compromissos.

"É preciso que as partes envolvidas permaneçam tranquilas. Precisamos evitar ameaças e comentários violentos", declarou. "Tudo isso pode levar a um conflito muito grande, o que seria uma catástrofe para o Oriente Médio".

Os iranianos disseram à Rússia que "estão prontos para cooperar, mas infelizmente não existe avanço neste sentido", acrescentou Medvedev.

O número dois do Conselho Nacional de Segurança iraniano, Ali Bagheri, é esperado nesta terça-feira em Moscou para uma reunião sobre o programa nuclear com o ministro russo das Relações Exteriores, Sergueï Lavrov, segundo comunicado do conselho.

Washington e seus aliados ocidentais não escondem a intenção de utilizar o relatório da AIEA para endurecer ainda mais as sanções individuais contra o Irã. Fonte: AFP

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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Israel dá ultimato e diz que Ocidente tem três anos para conter plano nuclear do Irã

Os Estados Unidos e seus aliados têm até três anos para frear o programa nuclear iraniano, que tem sofrido com problemas técnicos e com a imposição de sanções, disse o vice-primeiro-ministro, Moshe Yaalon.

Yaalon afirmou que o Irã segue sendo a principal prioridade do governo israelense, mas não mencionou possíveis ataques militares unilaterais por parte de Israel --rumor que ganha cada vez mais força.

O vice-primeiro-ministro disse esperar que as medidas lideradas pelos Estados Unidos contra o Irã tenham sucesso.

"Acredito que este esforço vai crescer, e vai incluir áreas além das sanções, para convencer o regime iraniano de que, efetivamente, ele tem de escolher entre continuar a buscar capacidades nucleares e sobreviver", disse Yaalon à Rádio Israel. "Não sei se isso vai acontecer em 2011, ou em 2012, mas estamos falando sobre os próximos três anos."

Yaalon, um ex-chefe das Forças Armadas, disse que os planos de enriquecimento de urânio do Irã sofreram reveses. Alguns analistas viram sinais de sabotagem externa em incidentes como a invasão de computadores iranianos por um vírus.

"Essas dificuldades adiaram o cronograma, é claro. Deste modo, não podemos falar de um ponto sem volta. O Irã não tem a capacidade de fazer uma bomba nuclear por si próprio", disse.

Yaalon já havia sido duro com o Irã anteriormente, afirmando que era preferível que Israel atacasse a República Islâmica em vez de permitir que o país consiga a bomba atômica.

Outras autoridades têm mantido silêncio sobre a opção militar em relação ao Irã, que traria obstáculos táticos e diplomáticos ao país.

OPÇÃO

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, já pedira no começo de novembro ao Ocidente que convença o Irã sobre o risco de sofrer uma ação militar caso mantenha seu programa nuclear.

Em discurso a uma conferência judaica nos Estados Unidos, Netanyahu disse que as sanções econômicas não demoveram Teerã, e que só uma ameaça crível de ação militar iria convencer os "tiranos de Teerã" a não desenvolverem armas atômicas.

"A única vez que o Irã suspendeu seu programa nuclear foi por um breve período durante 2003, quando o regime acreditava enfrentar uma ameaça crível de ação militar contra si", disse ele.

"O simples paradoxo é: se a comunidade internacional liderada pelos EUA espera conter o programa nuclear do Irã sem recorrer à ação militar, terá de convencer o Irã de que está preparada para adotar tal ação."

Israel e Irã são inimigos declarados na região. Acredita-se que Israel seja o único país do Oriente Médio a ter uma bomba nuclear, já que o país adota uma política de silêncio --não nega, nem confirma manter um programa nuclear com fins militares.

O Irã nega ter a intenção de desenvolver armas atômicas, mas afirma que não abrirá mão de um programa nuclear que seja voltado para objetivos pacíficos.

ATAQUES

Israel já atacou reatores nucleares de países vizinhos antes. Em julho de 1981, lançou um ataque aéreo contra reator do Iraque. Em setembro de 2007, um bombardeio israelense destruiu suposto reator nuclear na Síria.

Israel nunca confirmou oficialmente o misterioso bombardeio aéreo à Síria, que elevou a tensão regional. Doze dias depois do ataque, contudo, o então chefe da oposição e atual primeiro-ministro deixou claro o envolvimento de seu país no incidente. A Síria, por sua vez, sempre desmentiu que o local bombardeado era uma planta nuclear e admitia apenas que era "uma instalação militar em construção".

Atualmente, contudo, especialistas temem que um ataque israelense às instalações iranianas causaria uma guerra na região. Fonte: Reuters via Folha Online

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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Brasil e Turquia formalizam acordo nuclear com Irã em meio a ceticismo

Iraniano Mahmoud Ahmadinejad comemora assinatura de acordo nuclear com Luiz Inacio Lula da Silva, e o turco Recep Erdogan. Foto: Vahid Salemi/AP

O Irã assinou na manhã desta segunda-feira, ao lado de Brasil e Turquia, o acordo de troca de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear negociado neste fim de semana.

O documento, um marco nas negociações sobre o controverso programa nuclear de Teerã, ainda é visto com ceticismo por Israel e pelas potências ocidentais.

Muitos duvidam que um país como Irã, que desafia as sanções do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e resiste a permitir examinadores internacionais em suas usinas nucleares, vai se ater aos termos do acordo.

O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou em Teerã que o acordo não foi discutido com as potências, mas cumpre as determinações da proposta mediada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em outubro passado, e que o Irã rejeitou.

O acordo determina que o Irã envie 1.200 quilos de seu urânio enriquecido a 3,5%, em troca de 120 quilos de urânio enriquecido a 20% na Rússia ou França --suficiente para a produção de isótopos médicos em seus reatores e muito abaixo dos 90% necessários para uma bomba. O urânio enriquecido seria devolvido ao Irã no prazo de um ano.

A troca acontecerá na Turquia, país com proximidades com Ocidente e Irã, e sob supervisão da AIEA e vigilância iraniana e turca.

Os presidentes Mahmoud Ahmadinejad e Luiz Inácio Lula da Silva, e o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, decidiram enviar a proposta no prazo de uma semana para a AIEA.

Israel analisa com ceticismo o acordo. Fontes oficiais israelenses disseram à agência de notícias Efe que o Irã já aceitara uma oferta muito parecida "e depois, na hora de passar à ação, a rejeitou. É preciso examinar isto, portanto, com ceticismo".

"Pode ser que desta vez o Irã tenha decidido mudar sua política, ou que tenha manipulado a Turquia e o Brasil, explorando as boas intenções e a inexperiência diplomática brasileira em assuntos do Oriente Médio", disseram as fontes.

Pela proposta das potências em outubro passado, o Irã embarcaria 70% do seu estoque de urânio baixamente enriquecido, que seria convertido na França ou Rússia em cápsulas de combustível compatíveis para produção de isótopos de uso médico.

Teerã recusou a proposta dizendo que o projeto de acordo não apresentava as garantias necessárias para a entrega do combustível. Depois disso, o país apresentou uma contraproposta para um intercâmbio gradual.

A classe política e, em particular o governo do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, adverte do perigo que o Irã adquira capacidade de produzir armas nucleares e pede à comunidade internacional que tome medidas pela desnuclearização de Teerã.

Já o governo da Alemanha destacou nesta segunda-feira que nada pode substituir um acordo entre Teerã e a AIEA.

"Continua sendo importante que Irã e AIEA cheguem a um acordo", declarou o porta-voz adjunto do governo da Alemanha, Christoph Steegmans. "Isto não pode ser substituído por um acordo com outros países", completou.

Sanções

Amorim e seu colega turco, Ahmet Davutoglu, disseram nesta segunda-feira que o acordo nuclear fecha o caminho para a possibilidade que a comunidade internacional imponha novas sanções ao regime iraniano.

Com a paralisação das negociações no ano passado, o Irã anunciou que começou a enriquecer o urânio a 20% em fevereiro, mesmo diante da repreensão das potências. Desde então, os EUA lideram uma campanha por uma nova rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU, à qual o Brasil se opõe.

Em entrevista coletiva em Teerã, Amorim assegurou que o compromisso adquirido pelas autoridades iranianas fecha a porta para novas sanções.

Além disso, o chefe da diplomacia brasileira acrescentou que este acordo representa o princípio para abordar outras questões sobre o conflito nuclear.

Amorim destacou que é a primeira vez que o Irã se compromete por escrito a enviar urânio ao exterior para recuperá-lo tempo depois, como já propuseram Rússia, Estados Unidos e Reino Unido em novembro do ano passado.

Nesta ocasião, explicou o ministro brasileiro, o Irã recebeu as garantias que pedia para fechar um acordo.

Lula está há dois dias em visita oficial no Irã e hoje participará da inauguração da 14ª Cúpula do G15 (grupo dos 15 países em desenvolvimento), na capital iraniana. Fonte: Folha Online com agências internacionais

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quinta-feira, 13 de maio de 2010

EUA veem visita de Lula como última chance para Irã

A visita do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, ao Irã pode ser a última chance para Teerã evitar novas sanções no Conselho de Segurança (CS) da Organização das Nações Unidas (ONU), disse hoje um graduado funcionário do Departamento de Estado norte-americano. "Eu penso que nós veremos a visita de Lula como talvez a última grande cartada pelo engajamento", disse ele, que pediu anonimato. Lula está em Moscou e deve chegar ao Irã no fim de semana.

O Brasil defende mais negociações com Teerã antes de qualquer sanção, mas Washington tem trabalhado para que o CS imponha mais punições ao país em razão de o governo iraniano se recusar a interromper seu programa nuclear. O Irã alega ter apenas fins pacíficos no seu programa nuclear, como a produção de energia, mas potências lideradas pelos Estados Unidos defendem uma quarta rodada de sanções. As informações são da Dow Jones. Fonte: Agência Estado

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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Lula defende enriquecimento de urânio para fins pacíficos no Irã

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu hoje o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad e defendeu, em pequena coletiva à imprensa, o direito do país de desenvolver seu programa nuclear para fins pacíficos. "O que nós temos defendido há muito tempo é que o Irã tenha o direito de desenvolver enriquecimento de urânio para fins pacíficos, tanto quanto o Brasil está se desenvolvendo. É simples", disse Lula.

Segundo o presidente, o Brasil tem um modelo de desenvolvimento de energia nuclear reconhecido pelas Nações Unidas, modelo que pode ser adotado pelo Irã. "O que defendemos para nós, defendemos para o outros", afirmou.

Em seu discurso, Lula falou de aspirações comuns dos dois países nas áreas de energia e desenvolvimento científico. O presidente frisou que o comércio bilateral dobrou durante seu governo, e que há a intenção de dar mais vigor Às trocas comerciais. "O Irã poderá voltar a ser o maior destino [comercial] no Oriente Médio", disse.

Foram firmados hoje vários acordos de cooperação, nas áreas de geração de energia elétrica e de segurança alimentar. Uma visita do presidente Lula está marcada para abril ou maio do próximo ano a Teerã.

Logo após Lula, Ahmadinejad discursou e disse que Brasil e Irã defendem um mundo de paz e solidariedade, sem armas nucleares, e defendeu o direito de seu país de fazer pesquisas nucleares para fins pacíficos. "O Brasil apoia o direito do Irã de dominar todo o ciclo nuclear", disse o presidente iraniano, citando o discurso de Lula. Ahmadinejad também disse apoiar o que chamou de "avanços" do Brasil no domínio da tecnologia nuclear.

Ahmadinejad também aproveitou a visita para afirmar que não há ambiguidades no programa nuclear do país e que todas as perguntas da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) já foram respondidas.

O programa nuclear iraniano está no centro de uma polêmica internacional, com pressão ocidental para que o país envie seu urânio para ser enriquecido no exterior. O Irã assegura que tem apenas finalidades pacíficas, mas a descoberta de uma central nuclear clandestina em Qom aumentou as suspeitas de que o programa se destina à construção de armas nucleares.

O Irã alega que suas atividades nucleares são exclusivamente civis, mas não consegue afastar as suspeitas em torno de sua suposta intenção de desenvolver um programa militar.

Sobre a proposta da AIEA para um acordo, Ahmadinejad disse que o Irã estava disposto a negociar a compra de urânio enriquecido, mas que a limitação imposta pela agência de não poder comprar urânio enriquecido em 20% travou as negociações. "Isso não é a coisa certa a se fazer. Cabe ao comprador definir as condições da compra, as especificações técnicas. Estamos prontos a pagar e comprar o combustível, mas o Irã não permitirá que se ignorem os seus direitos legais", disse.

Paz

De acordo com o presidente Lula, o país de Ahmadinejad pode ser um novo ator para promover a paz. "O Irã pode ter um papel decisivo não só no Oriente Médio, mas na Ásia Central, para forjar uma ordem mundial harmônica em sua região.

Ahmadinejad reforçou o discurso amistoso do presidente Lula, destacando as afinidades dos dois países, tanto em relação às riquezas naturais como na convergência de interesse em vários campos, como o de energia. O líder iraniano acenou também que o Brasil deve atuar como um elo entre o Irã e a América latina.

O presidente iraniano reservou parte de seu discurso para atacar o sistema econômico capitalista, e afirmou que é necessário que o Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) passe por uma reforma que dê um assento permanente pro Brasil. "O conselho fracassou nos últimos 60 anos. A razão por que falhou é clara, falhou por causa do poder de veto que hoje está limitado a um número pequeno de países."

Foram assinados hoje acordos de cooperação nas áreas de energia, indústria e comércio, ciência, tecnologia, segurança alimentar e monetária. Foi assinado acordo de isenção de visto para passaportes diplomáticos para o período de 2009 a 2012.

Visita

O iraniano chegou hoje a Brasília por volta das 9h, procedente do Senegal. Após a reunião reservada com Lula, os dois líderes devem seguir para encontro com empresários de ambos os países.

Ahmadinejad chegou ao Brasil acompanhado pelo ministro de Relações Exteriores, Manoucher Mottaki, e do vice-ministro para a América Latina, Ali Reza Salari. Também veio ao país seu ministro de Minas e Indústrias, Ali Akbar Mehrabian. Vieram ainda membros do Parlamento iraniano e uma grande delegação de empresários que participará de um encontro empresarial Brasil-Irã. Ao lado de Ahmadinejad, veio ainda o embaixador brasileiro em Teerã, Antônio Luis Espínola Salgado.

Desde 2005, quando assumiu o poder, Ahmadinejad tenta estabelecer vínculos com líderes sul-americanos de esquerda e mantém relação próxima com Hugo Chávez. Depois do Brasil, o presidente iraniano completará sua viagem latino-americana de cinco dias com visitas a Bolívia e Venezuela, para depois retornar a Teerã com escalas no Senegal e em Gâmbia. Fonte: Folha Online

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